Janja aborda na ONU a violência digital contra mulheres

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Janja Lula da Silva destaca a urgência de combater a violência digital contra mulheres em evento da ONU.

A primeira-dama Janja Lula da Silva participou, na quarta-feira (11.mar.2026), do evento intitulado “Regulação, proteção e justiça: respostas à violência digital de gênero contra mulheres”. O encontro foi promovido pelo Ministério das Mulheres do Brasil na ONU, em Nova York.

Durante seu discurso, Janja expressou sua preocupação com a crescente normalização de discursos misóginos nas plataformas digitais, mencionando que a internet tem se tornado um espaço sem regras. Ela destacou o fenômeno do “red pill”, que é utilizado para descrever uma suposta revelação de verdades ocultas, e alertou que esse tipo de discurso rapidamente transita do ambiente virtual para a vida real.

A primeira-dama classificou como “assustador” o fato de que homens se sintam no direito de agredir mulheres por não atenderem às suas expectativas, enfatizando que as grandes empresas de tecnologia priorizam o lucro em detrimento da segurança das mulheres. Janja citou uma tendência no TikTok que incita a violência contra mulheres que rejeitam propostas de homens.

“Que mundo é esse onde homens se sentem no direito de nos agredir e nos matar por não corresponder à vontade deles? A internet não deve ser terra sem lei! Criminosos digitais devem ser responsabilizados e punidos”, afirmou em seu discurso.

<pEla reiterou a necessidade urgente de aprimorar a legislação sobre violência digital de gênero e de criar mecanismos que responsabilizem as grandes plataformas digitais. Janja enfatizou que essa luta é contínua e deve ser uma prioridade.

No vídeo que acompanhou sua publicação nas redes sociais, Janja compartilhou que o tema a afeta pessoalmente, já que ela mesma foi vítima de violência digital. Ela fez um apelo aos legisladores brasileiros para que aprovem a regulamentação das plataformas digitais, afirmando que o Brasil “precisa efetivamente que isso aconteça”.

Além disso, a primeira-dama mencionou um pacto feito pelo México com plataformas digitais para eliminar a violência contra as mulheres nas redes sociais, destacando a necessidade de criar um ambiente online que promova a paz.

Janja já havia abordado a questão da violência digital em um evento anterior, que ocorreu em parceria entre a Presidência do Brasil e do México, no contexto da 70ª Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU. Em suas falas, ela relatou como as mulheres vivem com medo em diversas situações do cotidiano e criticou a cultura que ensina a submissão feminina desde a infância.

A primeira-dama também destacou a importância de ensinar empatia e respeito às novas gerações, em vez de permitir que o ódio se propague nas redes sociais. Ela enfatizou que a luta pela igualdade de gênero deve ser compartilhada com os homens, que também se beneficiarão de uma sociedade mais justa.

A participação de Janja na ONU está alinhada com o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, assinado em fevereiro deste ano. Este pacto estabelece um comitê com representantes para coordenar políticas contra o feminicídio, uma iniciativa que surgiu após Janja se emocionar com os casos de violência registrados em 2025.

Janja já representou o Brasil em diversos fóruns internacionais, incluindo eventos sobre desenvolvimento sustentável e transição energética, onde defendeu a criação de sistemas alimentares mais sustentáveis e ações contra a fome.

Com formação em sociologia pela Universidade Federal do Paraná, a primeira-dama tem mais de 20 anos de experiência na Itaipu Binacional, onde coordenou projetos de responsabilidade social voltados para mulheres e comunidades locais.


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