Japão busca há anos diminuir o fluxo de turistas e teme que a China consiga alcançar esse objetivo

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Japão enfrenta desafios com turismo em alta e queda da demanda chinesa.

O Japão tem vivenciado um aumento significativo no número de turistas estrangeiros, impulsionado pela desvalorização do iene e pela recuperação da demanda após a pandemia. Este crescimento, no entanto, levanta preocupações sobre o turismo excessivo em destinos populares como Kyoto, Nara e Osaka. Para lidar com essa situação, algumas cidades já consideram aumentar impostos e implementar medidas para restringir o fluxo de visitantes internacionais.

Recentemente, o Japão também enfrenta uma queda na demanda de turistas chineses, seu principal mercado emissor. As tensões geopolíticas relacionadas a Taiwan têm gerado incertezas sobre o impacto econômico dessa mudança no setor turístico japonês.

Excesso de turistas

Os números são claros: o Japão recebeu 42,7 milhões de visitantes estrangeiros no último ano, um recorde histórico que supera os 37 milhões de 2024. Este aumento é significativo, pois pela primeira vez a Organização de Turismo do Japão registrou mais de 40 milhões de visitantes anuais. O governo japonês tem como meta alcançar 60 milhões de turistas nesta década, o que pode gerar uma injeção de recursos vital para a economia local. Em 2025, os turistas estrangeiros gastaram mais de 60 bilhões de dólares no país.

No entanto, o crescimento do turismo não se traduz apenas em benefícios econômicos. Destinos populares têm enfrentado congestionamentos, levando a situações inusitadas. Em Kyoto, por exemplo, medidas foram tomadas para restringir o acesso de turistas a locais icônicos, a fim de proteger as gueixas. Em outras áreas, como Fujikawaguchiko, cercas foram instaladas para bloquear vistas do Monte Fuji, enquanto festivais foram cancelados devido à superlotação.

Crise de Taiwan

A situação geopolítica também impacta o turismo. Em novembro, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que o Japão estaria disposto a mobilizar forças caso a China invadisse Taiwan, o que deteriorou ainda mais as relações entre os dois países. A resposta da China incluiu a suspensão de eventos culturais japoneses e restrições comerciais, afetando a troca entre os países.

O que isso tem a ver com turismo?

A China, sendo um dos maiores emissores de turistas para o Japão, representa uma parte crucial do setor. Em 2024, os turistas chineses foram responsáveis por 19% das visitas ao Japão. O impacto das tensões políticas foi imediato, com autoridades chinesas recomendando que seus cidadãos evitassem viajar para o Japão e cancelando rotas aéreas. Isso ocorre em um momento em que o Japão já se beneficiava significativamente do turismo chinês, conhecido por seus altos gastos.

Adeus, turistas chineses

A queda na demanda de turistas chineses começou a ser sentida rapidamente. Em dezembro, o fluxo de visitantes desse país caiu 45% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Para o Ano Novo Lunar, o Japão não está mais entre os destinos preferidos pelos turistas chineses, o que pode resultar em uma redução de até 60% no número de visitantes desse país.

Por que isso é importante?

Essa diminuição representa um desafio para o setor de turismo japonês, que até recentemente parecia estar em ascensão. Apesar do aumento no número de turistas de outras nacionalidades, o saldo de gastos com turismo receptivo caiu 2,8% nos últimos três meses de 2025. Embora essa porcentagem não seja alarmante, é a primeira queda em quatro anos e pode custar cerca de 1,2 bilhão de dólares ao setor. O Japão, que busca revitalizar sua economia, pode ver a Coreia do Sul se consolidar como o novo destino preferido para turistas chineses.

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