Jovem brasileiro de 19 anos supera tetraplegia e surpreende ao recuperar movimentos

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Jovem de 19 anos apresenta sinais de recuperação após tratamento experimental com polilaminina.

Luiz Otávio Santos Nunez, um jovem de 19 anos, tornou-se tetraplégico após um grave acidente com arma de fogo ocorrido em outubro de 2025. O acidente resultou na perda de movimentos em seus braços e pernas, além da perda de sensibilidade abaixo do umbigo.

Em janeiro deste ano, Luiz recebeu a aplicação da substância polilaminina, por ordem judicial, em um hospital militar em Campo Grande (MS). O procedimento foi realizado 110 dias após o acidente, superando o prazo inicial de 72 horas estipulado para o uso experimental da substância após o trauma.

Como militar do Exército Brasileiro, Luiz é o paciente mais jovem do país a receber a polilaminina e o primeiro em Mato Grosso do Sul. Sua mãe, Viviane Goreti Ponciano dos Santos, relata que a família já percebe sinais concretos de melhora em seu estado de saúde.

“Somos realistas. Sabemos da gravidade da lesão dele. Tenho total consciência da expectativa que podemos gerar nas pessoas. Mas eu afirmo que tudo está acontecendo. Sentimos claramente uma melhora, graças a Deus e à doutora Tatiana.”

Após o tratamento, Luiz começou a relatar movimentos nas mãos e braços, além de sentir calor nas pernas e a percepção de toque nos pés — sensações que não existiam antes da aplicação da polilaminina. Atualmente, ele está em um programa intensivo de fisioterapia, que é fundamental para potencializar os efeitos do tratamento.

“Sinto que estou fazendo força com os músculos da minha perna. É um leve movimento, mas ele não existia. Senti o toque da mão da minha mãe no meu pé. Não tenho nenhuma dúvida: foi tudo depois da polilaminina,” afirmou o jovem.

Especialistas alertam que ainda é necessário aguardar os resultados dos testes clínicos para confirmar a eficácia e a segurança da polilaminina. Até que novos dados sejam obtidos, as aplicações da substância permanecem restritas a casos específicos com autorização judicial.

O que é a polilaminina

A polilaminina é uma proteína derivada da placenta humana, que vem sendo estudada há mais de 20 anos. A substância é uma versão laboratorial da Laminina, uma proteína essencial no desenvolvimento embrionário e na conexão entre neurônios.

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da professora Dra. Tatiana Sampaio, estão avaliando o potencial da proteína para regenerar lesões medulares, em parceria com o Laboratório Cristália. Inicialmente, a aplicação da polilaminina era restrita a lesões completas, com um limite de 72 horas após o trauma, mas os resultados positivos em casos anteriores levaram à extensão do uso para lesões subagudas, ocorridas até três meses após o acidente.

Atualmente, a substância ainda não possui aprovação comercial e está em fase de testes clínicos de segurança na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Proteína é estudada pela UFRJ há 20 anos

A pesquisa busca utilizar uma proteína que protege as células nervosas e estimula a formação de novas conexões sinápticas. A expectativa é que, ao ser aplicada na região lesionada da medula, a polilaminina ajude na recuperação parcial dos movimentos. O caso de Luiz Otávio representa um novo capítulo na investigação, pois a aplicação fora do prazo convencional amplia o campo de estudo sobre a resposta da substância em lesões mais antigas.

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