Justiça dá início às audiências do julgamento da tragédia de Brumadinho
Início das audiências marca avanço no processo sobre o desastre de Brumadinho.
As audiências de instrução e julgamento relacionadas ao rompimento da barragem da Vale em Brumadinho começaram nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026. Este evento ocorre sete anos após a tragédia que resultou em 272 mortes.
As primeiras testemunhas foram ouvidas a partir das 13h, na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em Belo Horizonte. Esta fase do processo é crucial para a produção de provas que visam esclarecer possíveis falhas nos sistemas de segurança e condutas negligentes que contribuíram para o desastre.
O processo envolve a Vale, a empresa alemã TÜV Süd e 16 ex-executivos. Estão previstas 76 audiências, que ocorrerão às segundas e sextas-feiras, com conclusão estimada para 17 de maio de 2027.
As sessões serão realizadas preferencialmente de forma presencial, mas a possibilidade de videoconferência está aberta mediante solicitação das partes. Durante as audiências, serão ouvidas testemunhas tanto da acusação quanto da defesa, e os interrogatórios dos réus acontecerão ao final, conforme a legislação vigente.
O Ministério Público alega que houve homicídio doloso com dolo eventual, sustentando que havia alertas sobre o risco de rompimento da barragem. Por outro lado, as defesas argumentam que o evento foi imprevisível, atribuindo a causa a uma sondagem realizada pela empresa Fugro.
O rompimento da Barragem B1 da mina Córrego do Feijão ocorreu em 25 de janeiro de 2019, liberando milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração que atingiram instalações da empresa e áreas rurais, contaminando o Rio Paraopeba.
A maioria das vítimas era composta por trabalhadores que estavam no refeitório e na área administrativa da mineradora no momento do desastre. Duas vítimas permanecem desaparecidas. Embora acordos bilionários de reparação tenham sido firmados, o processo continua a ter desdobramentos na Justiça, sete anos após a tragédia.
