Khamenei diz que Trump “não conseguirá depor” o Irã e ameaça porta-aviões dos EUA
Líder supremo do Irã intensifica retórica contra Washington em meio a negociações nucleares com os EUA
O líder supremo da República Islâmica do Irã, Ialiatolá Ali Khamenei, proferiu nesta terça-feira (17/02) declarações duras contra os Estados Unidos e seu presidente, Donald Trump, assegurando que ele não conseguirá derrubar o regime iraniano e alertando que navios-de-guerra norte-americanos “podem ser afundados” caso haja confronto militar.
As declarações ocorreram em um contexto de crescentes tensões entre Teerã e Washington, enquanto delegações dos dois países participam de uma nova rodada de negociações em Genebra, na Suíça, mediadas por Omã e focadas no programa nuclear iraniano. A retórica mais dura coincide com o envio de um grupo de porta-aviões dos Estados Unidos para o Golfo Pérsico como demonstração de força.
“Não conseguirão destruir a República Islâmica”
Em discurso, Khamenei afirmou que o presidente Trump e seus antecessores não conseguiram derrubar o sistema político iraniano desde a Revolução Islâmica de 1979, e que isso não mudará agora.
“Para 47 anos, os Estados Unidos não conseguiram destruir a República Islâmica. Eu digo: vocês também não conseguirão”, declarou o aiatolá.
Ameaça a porta-aviões dos EUA
Khamenei também abordou a presença militar norte-americana no Oriente Médio, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, afirmando que, embora seja um equipamento poderoso, “mais perigosa ainda é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar” — uma referência velada a capacidades militares iranianas ou métodos de dissuasão que Teerã se gaba de possuir.
Essa retórica representa um dos momentos mais tensos na relação bilateral recente, já que Washington vinha pressionando por restrições ao programa nuclear iraniano, capacidade de mísseis balísticos e apoio regional a grupos armados, enquanto Teerã reafirma sua soberania e rejeita interferências externas.
Contexto diplomático e militar
As declarações foram feitas enquanto a delegação iraniana se reúne com representantes norte-americanos e mediadores internacionais em Genebra para tentar avançar em acordos que limitem o desenvolvimento nuclear, mas a desconfiança mútua permanece elevada. A presença de navios-de-guerra americanos no Golfo Pérsico é vista por Teerã como uma provocação, enquanto aliados norte-americanos interpretam a resposta iraniana como uma tentativa de reforçar sua posição de negociador resistente.
Repercussão internacional
Analistas apontam que essa troca de declarações bem como a mobilização militar refletem um equilíbrio delicado entre diplomacia e demonstrações de força — em que ambos os lados buscam reforçar suas posições internas e externas sem escalonar para um confronto direto aberto. A ameaça a um navio-capitânia da Marinha dos EUA, contudo, marca um ponto de escalada retórica que poderá afetar discussões estratégicas em toda a região do Oriente Médio, incluindo países vizinhos e alianças geopolíticas mais amplas.
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