Ligações de Vorcaro Revelam Riscos para Autoridades dos Três Poderes
Daniel Vorcaro firma acordo de delação premiada enquanto investigações sobre fraudes financeiras avançam.
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, assinou um acordo de confidencialidade com a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República na quinta-feira, 19 de março de 2026. Este documento marca o início de um processo que pode levar a uma delação premiada, em meio a investigações sobre fraudes no sistema financeiro. Vorcaro encontra-se detido na Superintendência da PF em Brasília.
A iminência de uma delação por parte de Vorcaro levanta preocupações entre diversas autoridades dos Três Poderes e de outras áreas em Brasília. O fundador do Banco Master estabeleceu conexões com ministros do STF e políticos, muitas das quais foram consolidadas através de contratos com empresas ligadas a esses indivíduos ou seus familiares.
GUIA DE RELACIONAMENTOS POLÍTICOS
O economista Guido Mantega, que atuou como ministro da Fazenda durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, foi um defensor do Banco Master no governo. Mantega teve pelo menos cinco encontros em 2024 no Palácio do Planalto com Marco Aurélio Santana Ribeiro, chefe de gabinete de Lula, e no último desses encontros, em 4 de dezembro de 2024, Vorcaro também estava presente.
No final da reunião, Mantega e Vorcaro solicitaram uma audiência com o presidente, que foi concedida. O encontro contou com a presença de ministros e Gabriel Galípolo, que se tornaria presidente do Banco Central em janeiro de 2025. Campos Neto, na época, não foi informado sobre a reunião.
INTERAÇÕES COM O BANCO CENTRAL
Desde sua fundação em 2018, o Banco Master teve 65 reuniões com a alta cúpula do Banco Central. Destas, 24 ocorreram durante a presidência de Roberto Campos Neto, e 41 em 2025, sob a presidência de Galípolo.
De acordo com investigações, dois funcionários do Banco Central forneceram informações ao ex-banqueiro Vorcaro. Eles ocupavam cargos relevantes na supervisão bancária da instituição.
CONTATOS COM O STF
Vorcaro também tentou contatar o ministro Alexandre de Moraes do STF logo após sua prisão em 17 de novembro de 2025. Mensagens em um celular apreendido pela PF revelaram que ele questionou Moraes sobre um possível bloqueio, mas não houve resposta registrada do ministro.
Além disso, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, recebeu R$ 80 milhões do Banco Master por serviços prestados, o que levantou questões sobre possíveis conflitos de interesse, especialmente em um momento em que havia negociações para a venda do banco.
ENVOLVIMENTO DE OUTROS MINISTROS
O ministro Dias Toffoli foi relator do caso Master entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. Durante esse período, sua empresa familiar estava envolvida em transações com o Master, mas Toffoli afirmou que não recebeu pagamentos diretamente relacionados ao caso.
O ministro Nunes Marques também foi mencionado em investigações, com seu filho recebendo pagamentos significativos de uma empresa vinculada ao Master, embora Marques tenha negado qualquer irregularidade.
RELACIONAMENTOS COM OUTROS POLÍTICOS
Vários políticos, incluindo ACM Neto, Antonio Rueda e Jaques Wagner, tiveram vínculos financeiros com o Banco Master, recebendo quantias substanciais por serviços prestados. Esses laços levantam questões sobre a ética e a transparência nas relações entre o setor financeiro e a política.
Além disso, o presidente da Câmara, Hugo Motta, teve sua cunhada envolvida em um empréstimo significativo com o Banco Master, o que também gerou controvérsias sobre a influência do banco nas decisões políticas.
CONTRATOS E PAGAMENTOS MILIONÁRIOS
Relatos indicam que o escritório do filho do governador do Distrito Federal recebeu pagamentos milionários de uma gestora ligada ao Banco Master, levantando preocupações sobre a legalidade e a ética dessas transações.
A complexidade e a gravidade das alegações envolvendo o Banco Master e seus relacionamentos com figuras
