Lula denuncia neoextrativismo e afirma que potências se comportam como donas do mundo

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Lula critica a ordem internacional e defende soberania na cúpula da Celac

O presidente Lula fez críticas contundentes à ordem internacional e às guerras em andamento durante seu discurso na 10ª cúpula da Celac, realizada em Bogotá.

Em sua fala, Lula abordou a exploração de recursos naturais, alertando sobre as tentativas de “nova colonização” econômica na região. Ele questionou os interesses externos nas riquezas da América Latina e África, defendendo que esses países devem agregar valor a seus recursos dentro de seus próprios territórios. A cooperação regional, segundo ele, é fundamental para evitar a repetição de modelos históricos que não promovem o desenvolvimento.

O presidente destacou a relevância de insumos como terras raras e minerais na transição energética, além do potencial da região para a produção de combustíveis e energia. Para Lula, a América Latina possui as condições necessárias para um avanço significativo, desde que mantenha sua soberania.

Além disso, Lula mencionou a atual concentração de conflitos no mundo, a maior desde a Segunda Guerra Mundial, e criticou os efeitos econômicos e sociais dessas crises. Ele citou as guerras na Ucrânia, em Gaza e no Irã, ressaltando que esses conflitos elevam os preços da energia e dos alimentos, dificultando o desenvolvimento das nações.

Em um dos momentos mais incisivos de sua fala, Lula criticou o funcionamento da ONU, especialmente o Conselho de Segurança, que, segundo ele, não tem conseguido resolver crises internacionais de forma eficaz. Ele questionou a lógica de que os países com mais poder militar e financeiro se considerem os “donos do mundo”.

O presidente também pediu mudanças na estrutura do Conselho de Segurança, argumentando que é necessário aumentar a representatividade de países da América Latina e da África, que são sub-representados em um organismo que deveria refletir a diversidade global.

Além de defender a soberania nacional, Lula criticou as intervenções externas, questionando a legitimidade de um país invadir outro. Ele reiterou a importância de preservar o Atlântico Sul como uma zona livre de disputas geopolíticas e enfatizou o multilateralismo como um caminho essencial para garantir a paz e o desenvolvimento global.

As declarações de Lula ocorreram em um momento crucial, durante a cúpula da Celac, que reúne líderes da América Latina e do Caribe para discutir a integração regional, a cooperação econômica e os desafios comuns diante do cenário internacional.

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