Lula propõe punição a magnatas do crime no STF durante análise do caso Master
Lula destaca combate ao crime organizado e reforça compromisso com a democracia em discurso no Judiciário.
BRASÍLIA, DF – O presidente Lula (PT) elogiou, em seu discurso na abertura dos trabalhos do Judiciário de 2026, operações que visam desmantelar as estruturas de financiamento do crime organizado, referindo-se ao “andar de cima” da criminalidade.
Durante sua fala, Lula destacou a operação Carbono Oculto, que resultou na identificação de mandantes do crime organizado, afirmando que esses “magnatas do crime” não estão nas comunidades, mas sim em endereços de prestígio no Brasil e no exterior.
A operação investigou crimes financeiros e lavagem de dinheiro associados à facção PCC (Primeiro Comando da Capital), além de envolvimentos com gestoras da Faria Lima e o setor de combustíveis.
O discurso do presidente ocorreu em um momento de retomada dos julgamentos no STF, após o recesso de final de ano, e foi escolhido em meio a tensões internas na corte ligadas ao escândalo do Banco Master, que está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. No ano anterior, Lula não fez uso da palavra na abertura do Judiciário.
As investigações em torno do caso revelaram laços entre o magistrado e um dos advogados envolvidos, levantando dúvidas sobre sua imparcialidade. Toffoli foi visto viajando de jatinho com esse advogado, e seus irmãos estão vinculados a um fundo de investimentos relacionado à instituição financeira em questão. O presidente do STF já indicou que a investigação deve ser transferida para fora da corte.
Lula expressou sua preocupação com as fraudes do Banco Master, reunindo, no Palácio do Planalto, autoridades relevantes para discutir o assunto. Participaram do encontro o ministro Alexandre de Moraes, o diretor da Receita, Robinson Barreirinhas, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Após a reunião, o presidente classificou as investigações como um marco histórico para o país e reafirmou que o Estado brasileiro está determinado a vencer o crime organizado, durante a posse de seu novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
O presidente também manifestou descontentamento com a conduta de Toffoli na relatoria do caso, sinalizando a aliados que não pretende defendê-lo.
No discurso, Lula abordou a questão do feminicídio, mencionando o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que será formalizado entre os três Poderes. O tema do combate à violência contra a mulher tem sido cada vez mais frequente nas falas do presidente, especialmente após eventos recentes que geraram ampla repercussão.
Ele enfatizou que “assassinos e agressores devem ser punidos com todo o rigor da lei”, mas também destacou a importância da educação e da conscientização dos homens sobre a inaceitabilidade de qualquer forma de violência contra mulheres.
O presidente ressaltou que o pacto deve envolver não apenas as instituições, mas toda a sociedade brasileira, com um foco especial na participação dos homens.
Lula também reiterou sua defesa pela democracia, fazendo referência aos ataques de 8 de janeiro de 2023. Ele afirmou que a democracia deve ser construída por meio de eleições livres e protegida por instituições que garantam sua integridade.
Por fim, o presidente alertou que a condenação dos golpistas serve como um aviso claro de que qualquer tentativa futura de ruptura democrática será severamente punida.
