Maçãs se perdem nos pomares de São Joaquim por falta de mão de obra na colheita
Safra é considerada uma das melhores dos últimos anos, mas escassez de trabalhadores provoca prejuízos na Serra Catarinense
Produtores rurais de , na Serra Catarinense, enfrentam um cenário preocupante na atual safra de maçã. Apesar da excelente qualidade das frutas — maiores, mais vermelhas e em volume acima da média — parte significativa da produção está se perdendo antes mesmo de chegar ao mercado consumidor.
O problema não está relacionado a fatores climáticos ou pragas, mas sim à falta de mão de obra para a colheita. Em vídeo registrado na quinta-feira (20), um produtor mostra grande quantidade de maçãs já caídas no chão, deteriorando com o passar dos dias. Segundo ele, somente em sua propriedade existem entre 15 e 20 vagas abertas que seguem sem preenchimento.
“Olha a quantidade de fruta caindo e falta mão de obra”, relata enquanto percorre as fileiras carregadas do pomar.
Mesmo com oferta de salários considerados atrativos e benefícios para trabalhadores temporários, os produtores afirmam que não conseguem formar equipes suficientes para atender ao ritmo exigido pela colheita. A maçã possui um período ideal de retirada do pé; atrasos comprometem a qualidade e reduzem o valor comercial, resultando em perdas diretas.
Reconhecida nacionalmente como um dos principais polos produtores de maçã do país, São Joaquim tem na fruticultura uma das bases estruturantes da economia local. A escassez de trabalhadores no momento mais crítico da safra preocupa o setor produtivo e pode gerar impactos econômicos relevantes para a região.
De acordo com relatos de produtores, a dificuldade de contratação não é pontual deste ano, mas uma realidade recorrente nas últimas temporadas. A diferença, desta vez, é a dimensão da perda: diante de uma safra abundante e da ausência de colhedores suficientes, toneladas de frutas acabam amadurecendo excessivamente, caindo e apodrecendo ainda no campo.
Enquanto as vagas permanecem abertas, a produção pronta para colheita segue se perdendo dia após dia, ampliando os prejuízos e evidenciando um desafio estrutural para o setor agrícola.
Fotos: Reprodução
