Maratonas deixam de ser vistas como perigosas após avanço no acompanhamento médico

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Correr uma maratona não causa danos cardíacos a longo prazo, segundo estudos recentes.

Quando um corredor amador completa uma maratona, seu corpo e coração enfrentam um estresse significativo. Exames de sangue podem mostrar níveis elevados de troponina T, um marcador que indica estresse cardíaco, e sinais de fadiga no ventrículo direito. Isso levanta a questão: correr uma maratona pode ser fatal?

A resposta é não. Um estudo abrangente publicado no final de 2025 demonstrou que, embora o coração passe por estresse extremo durante a corrida, não há evidências de danos cardíacos permanentes para corredores amadores.

Para entender a importância desta conclusão, é necessário considerar o contexto do medo que envolve a prática de maratonas. Pesquisas anteriores, incluindo estudos com ultramaratonistas, têm documentado os efeitos imediatos da corrida, mostrando que o corpo passa por mudanças significativas.

A corrida em alto nível provoca alterações morfológicas e bioquímicas nos ventrículos. O coração enfrenta uma sobrecarga de volume e pressão, liberando proteínas que, em uma situação de emergência médica, poderiam sinalizar um possível ataque cardíaco. No entanto, a pesquisa que acompanhou corredores por dez anos trouxe novos insights.

A pesquisa baseou-se em um projeto histórico iniciado na Maratona de Munique em 2009, onde 152 corredores amadores, com idade média de 43 anos, foram monitorados. Avaliações foram realizadas antes da maratona, logo após a corrida, um dia depois, três dias depois e, finalmente, dez anos depois. Utilizou-se tecnologia avançada, como ecocardiografia 3D e análise de biomarcadores cardíacos, para avaliar a função dos ventrículos.

Os resultados mostraram que, após a corrida, houve um aumento nos biomarcadores cardíacos, indicando alterações na função cardíaca. No entanto, essas alterações se resolveram rapidamente e, dez anos após a maratona, os corações dos participantes estavam saudáveis, sem cicatrizes ou sinais de insuficiência cardíaca.

Esses achados reforçam a ideia de que o coração humano é extremamente resiliente. A liberação de troponina e a disfunção do ventrículo direito após uma maratona devem ser vistas como respostas fisiológicas normais a um esforço intenso, e não como danos permanentes.

É importante ressaltar que, embora correr uma maratona não apresente riscos a longo prazo para a maioria dos corredores amadores que treinam adequadamente, existem riscos agudos para aqueles com condições cardíacas preexistentes. Assim, a ciência indica que cruzar a linha de chegada pode ser extenuante, mas não compromete a saúde futura do coração.

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