Mendonça forma maioria para garantir prisão de Vorcaro durante debate sobre delação
Ministro do STF mantém prisão preventiva de banqueiro em meio a pressões políticas.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), articulou com colegas da Segunda Turma para assegurar a manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, do Banco Master. A decisão foi tomada na sequência de uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga irregularidades financeiras.
A articulação de Mendonça teve apoio de ministros tanto da própria turma quanto de outros setores do tribunal. Essa movimentação se deu em resposta à pressão crescente de políticos que buscavam a libertação de Vorcaro, temendo que ele pudesse fazer uma delação premiada que comprometeria diversas autoridades.
Emissários de Vorcaro tentaram contatar membros do Congresso, do STF e da Polícia Federal, indicando que o banqueiro estaria disposto a colaborar com as investigações, revelando informações que poderiam envolver figuras proeminentes do cenário político, especialmente em um ano eleitoral.
Esse cenário alarmou lideranças políticas, particularmente do Centrão, que poderiam ser alvos de uma possível delação. A defesa de Vorcaro, por sua vez, desmentiu as alegações sobre tratativas de delação, afirmando que tais informações têm o intuito de prejudicar a defesa do cliente neste momento crítico.
Recentemente, rumores na imprensa indicaram que dois ministros, Nunes Marques e Gilmar Mendes, poderiam votar a favor da libertação de Vorcaro. Contudo, a suspeição do ministro Dias Toffoli poderia resultar em um empate, o que beneficiaria o banqueiro.
Mendonça já havia iniciado conversas discretas com seus colegas da Turma, recebendo indicações de apoio de Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento virtual sobre a prisão de Vorcaro começou na manhã desta sexta-feira e se estenderá até o dia 20. Mendes, por sua vez, indicou que não participará da votação nesta data.
Em conversas com pessoas próximas, Mendonça negou que sua intenção ao votar pela manutenção da prisão fosse facilitar uma delação de Vorcaro. Seu voto, que abrange 53 páginas, refutou os argumentos da defesa para a libertação do banqueiro.
Entre os pontos abordados, o ministro destacou que o pai de Vorcaro recebeu R$2,2 bilhões após a mudança para prisão domiciliar, além de um pagamento mensal de R$1 milhão a aliados para intimidar pessoas, incluindo jornalistas.
Vorcaro foi preso preventivamente no início de março durante a nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes como gestão fraudulenta, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele já havia sido detido anteriormente em novembro do ano passado.
