Mendonça permite que ex-presidente do BC decida participação na CPI do Crime Organizado
Ministro do STF autoriza ex-diretor do Banco Central a decidir sobre comparecimento à CPI do Crime Organizado.
Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central, está sob investigação da Polícia Federal por suposto fornecimento de informações privilegiadas a Daniel Vorcaro. Recentemente, o ministro do STF, André Mendonça, tomou uma decisão que permite a Souza decidir se comparecerá ou não à CPI do Crime Organizado.
A decisão, divulgada na quarta-feira, 18 de março de 2026, afasta a obrigatoriedade do depoimento, garantindo ao investigado o direito ao silêncio e a não ser obrigado a dizer a verdade. A segurança de Paulo Sérgio durante o possível depoimento ficará a cargo da Polícia Legislativa do Senado.
Atualmente, Souza está usando tornozeleira eletrônica e é investigado por enriquecimento ilícito em um inquérito que apura fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. O ministro Mendonça também designou a Polícia Federal para coordenar o deslocamento de Souza até o Senado.
ENTENDA
A convocação de Paulo Sérgio pela CPI ocorreu em 11 de março, mas sua defesa alegou a impossibilidade de comparecimento devido a compromissos pessoais. A Comissão, por sua vez, solicitou ao ministro do STF autorização para que o ex-diretor pudesse prestar depoimento, seja na quarta-feira ou em uma data futura, visto que ele se encontra em Minas Gerais.
QUEM É PAULO SÉRGIO
Paulo Sérgio Neves de Souza foi chefe-adjunto de Supervisão Bancária do Banco Central e mantinha uma relação próxima com Daniel Vorcaro. Ele foi mencionado na terceira fase da Operação Compliance Zero, que teve início em 4 de março deste ano.
Documentos relacionados à operação indicam que Neves e Vorcaro trocavam mensagens, e que o ex-diretor do Banco Central oferecia orientações sobre assuntos de interesse privado de Vorcaro, mesmo sendo servidor público. O ministro Mendonça destacou que Souza atuava como uma espécie de consultor informal para Vorcaro.
Neves foi afastado do Banco Central por ordem do Supremo Tribunal Federal, assim como Belline Santana, outro funcionário envolvido. A instituição financeira identificou indícios de recebimento de vantagens indevidas por parte de ambos durante uma revisão interna de processos de fiscalização.
As investigações da Polícia Federal revelaram que o ex-diretor prestava consultoria informal a Vorcaro, e que ambos mantinham um relacionamento ilícito, recebendo pagamentos mensais por meio de estruturas empresariais criadas para ocultar essas transações.
