Milhares se mobilizam contra as medidas de ajuste de Milei na Argentina

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Milhares protestam na Argentina em defesa dos direitos das mulheres e contra políticas do governo.

Na Argentina, milhares de pessoas se reuniram nesta segunda-feira, 9, para celebrar o Dia Internacional da Mulher, em uma mobilização que ocorreu um dia após a data oficial, permitindo a participação de mulheres em greve. A manifestação teve como foco a oposição às políticas do governo atual, liderado por Javier Milei.

Em Buenos Aires, os manifestantes marcharam do Congresso até a Plaza de Mayo, levantando a bandeira de resistência contra o que chamam de “ajuste e política de fome” promovida pelo governo ultraliberal. A insatisfação popular se intensificou após a recente reforma trabalhista, que, segundo críticos, prejudica os direitos dos trabalhadores.

A nova legislação trabalhista inclui medidas que reduzem as indenizações, permitem pagamentos em bens ou serviços, restringem o direito de greve e autorizam jornadas de trabalho de até 12 horas sem pagamento de horas extras. Essas mudanças têm gerado preocupações significativas, especialmente entre as mulheres, que já enfrentam desigualdades no mercado de trabalho.

Os participantes da manifestação, em sua maioria mulheres, usavam lenços verdes e roxos, símbolos das lutas feministas, e carregavam bandeiras do orgulho LGBTQIA+, além de tambores e cartazes que clamavam por justiça para as vítimas de feminicídios. Frases como “Nem uma a menos” e “Por que odeiam mais as feministas do que um estuprador?” ecoaram durante o ato.

De acordo com uma militante feminista, o protesto foi uma resposta direta às políticas de ajuste do governo, especialmente após a aprovação da reforma trabalhista, que é considerada por muitos como uma medida que escraviza os trabalhadores. A mobilização reflete a crescente insatisfação com as mudanças que afetam diretamente as mulheres e as populações marginalizadas.

Recentemente, o Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher expressou preocupações sobre a dissolução do Ministério das Mulheres, afirmando que isso resultou em uma fragmentação das responsabilidades e diminuição da capacidade técnica para promover os direitos das mulheres no país.

Além disso, o desfinanciamento da linha 144, que oferece suporte a vítimas de violência doméstica, foi destacado como uma questão alarmante. Dados da Defensoria do Povo revelaram que, em 2025, foram registrados 271 feminicídios, um número que subiu em relação ao ano anterior.

Uma funcionária pública de 62 anos, que participou da manifestação, enfatizou a importância da luta pelos direitos das mulheres, especialmente em um contexto em que muitos direitos estão sendo ameaçados pelas políticas do governo atual.

A jornada de protesto também foi marcada por uma controvérsia na província de Misiones, onde a prefeitura de Colonia Aurora foi criticada por distribuir utensílios de limpeza durante um evento oficial em homenagem ao Dia da Mulher. Essa ação foi vista como uma desvalorização da luta por igualdade de gênero.

Por fim, um relatório recente do Indec revelou que as mulheres na Argentina ganham em média 26% menos que os homens e lideram oito de cada dez lares monoparentais, evidenciando a necessidade urgente de políticas efetivas para abordar a desigualdade de gênero no país.

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