Ministérios Públicos preveem operações conjuntas contra o crime organizado em 2026
Ministério Público planeja ações integradas contra crime organizado em 2026.
O presidente do CNPG, Pedro Maia, anunciou que o Ministério Público da União e dos Estados está se preparando para realizar duas grandes operações integradas em 2026, visando combater o crime organizado.
Durante uma entrevista, Maia destacou a importância da colaboração entre os Gaecos, os Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, para fortalecer as operações contra facções criminosas. Ele citou a operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao PCC, como um exemplo da eficácia dessa integração.
“Tenho a expectativa de o Ministério Público organizar pelo menos duas grandes operações com a marca do Ministério Público brasileiro neste ano de 2026 de enfrentamento ao crime organizado”, afirmou Maia.
Ao assumir a presidência do CNPG em dezembro de 2025, o procurador-geral de Justiça da Bahia enfatizou que a segurança pública será uma prioridade durante seu mandato, que se estenderá até o final de 2026.
Maia também ressaltou a capacidade das unidades do Ministério Público de conduzir investigações criminais através do Procedimento Investigatório Criminal (PIC). Em 2024, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o MP tem competência para realizar investigações fora dos inquéritos policiais, reconhecendo a validade das ações do Ministério Público nesse contexto.
Ele defende que o MP deve ser proativo na produção de provas para subsidiar investigações e ações penais. “O Ministério Público não pode ser um órgão, uma instituição passiva que atua no sistema de justiça, mas não constrói a prova que vai subsidiar a investigação, a denúncia, a ação penal”, afirmou.
PL ANTIFACÇÃO
O presidente do CNPG também acredita que é fundamental aprimorar a legislação criminal para enfrentar o crime organizado. Ele mencionou o PL 5.582 de 2025, conhecido como PL Antifacção, que foi aprovado pelo Senado e avaliado positivamente pelo CNPG.
Com a retomada do recesso parlamentar, o CNPG planeja dialogar com os deputados para garantir que a proposta aprovada mantenha suas diretrizes. “O texto que se iniciou na Câmara dos Deputados era um texto que carecia, ainda tinha um olhar que não era completo. Faltava ainda a escuta de quem efetivamente atua no enfrentamento às organizações criminosas”, explicou Maia.
ANO ELEITORAL
Sobre as fiscalizações durante o processo eleitoral de 2026, Pedro Maia considera que o Ministério Público Eleitoral enfrentará novos desafios, como o uso de inteligência artificial na disseminação de desinformação e deepfake, além de questões históricas relacionadas à infiltração do crime organizado nas instituições.
“Recentemente temos novos desafios com a tentativa do crime organizado de se infiltrar nas instituições através dos processos eleitorais. Desde o lançamento de candidaturas até a efetivação da corrupção eleitoral com a compra de votos”, disse Maia.
VIOLÊNCIA POLICIAL
Enquanto líder do MPBA, Pedro Maia reconheceu a necessidade de uma resposta efetiva à violência policial no estado, afirmando que os dados sobre letalidade policial na Bahia estão “fora da curva”.
“Ainda há muito a fazer, mas o primeiro passo de uma mudança já foi dado. O Ministério Público da Bahia tem atuado de forma efetiva. Esses números de letalidade policial são responsabilidade nossa também, do Ministério Público da Bahia, em reverter esse quadro, que é um quadro muito ruim”, afirmou.
Desde 2022, mais de 200 policiais foram processados pelo MP, e mais de 100 já estão presos. Maia mencionou que uma das demandas do órgão tem sido a implementação de câmeras no fardamento dos policiais militares.
“Em nossa luta, inclusive através de procedimento pela ampliação das câmeras corporais, temos tido na Secretaria de Segurança Pública, no Comando Geral da Polícia Militar e no próprio Executivo estadual uma resposta muito positiva no sentido da construção de alternativas”, concluiu.
