Ministros do STF criticam governo Lula pela atuação da PF no caso Master
Ministros do STF criticam postura do governo Lula em crise envolvendo Dias Toffoli.
Ministros do Supremo Tribunal Federal expressaram descontentamento com a abordagem do governo Lula em relação à crise que resultou na saída de Dias Toffoli da relatoria do inquérito sobre o Banco Master. A avaliação é de que a Polícia Federal agiu de maneira irregular e que membros do partido tentaram tirar proveito político da situação.
As críticas à atuação da Polícia Federal se concentram no material que foi entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, onde se mencionam supostas ligações entre Toffoli e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os magistrados consideram que essa investigação foi conduzida sem a devida autorização do tribunal, o que a torna ilegal.
Além disso, integrantes do Supremo relataram ao Planalto que o governo buscou capitalizar politicamente com a crise, ao vazar informações que sugeriam que Lula desejava a saída de Toffoli da relatoria, temendo desgastes para a Corte.
O clima de tensão se intensificou no STF, levando alguns ministros a considerar a possibilidade de investigar as condutas da Polícia Federal e da Receita Federal em relação ao inquérito. Como ambas as instituições estão sob o comando de pessoas ligadas ao governo, a insatisfação se estendeu ao Planalto.
Em resposta aos recados recebidos, o governo iniciou uma estratégia para minimizar os danos. O Planalto orientou seus ministros a manterem um tom neutro e técnico ao se referirem ao caso, evitando críticas ao trabalho dos magistrados.
Políticos do centrão, que têm bom relacionamento com o STF, acreditam que o episódio pode prejudicar a relação de Lula com a Corte, que tem sido fundamental para a governabilidade do governo desde a saída de Jair Bolsonaro.
Um dirigente partidário que dialogou com ministros do STF durante a crise ressaltou que a oposição está direcionando suas críticas de forma equivocada ao convocar manifestações pelo impeachment de Toffoli e do ministro Alexandre de Moraes.
Após essas conversas, os ministros demonstraram estar mais incomodados com o governo atual do que favoráveis à administração petista.
A relação entre Lula e os ministros já havia esfriado desde a escolha de Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. O grupo que inclui Moraes, Gilmar Mendes, Toffoli e Flávio Dino defendia a indicação de Rodrigo Pacheco.
As investigações da PF sobre Toffoli, que resultaram em um relatório extenso sobre suas relações com o Banco Master, exacerbam as queixas. O STF rejeitou a suspeição do ministro, que optou por se afastar voluntariamente do processo, com André Mendonça assumindo sua posição.
Os ministros acreditam que a PF agiu de maneira ilegítima ao investigar Toffoli, que possui prerrogativa de foro, sem autorização judicial. Além disso, alguns defendem que a Receita Federal também estaria envolvida nos vazamentos, o que gerou críticas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Toffoli reconheceu ter recebido dinheiro da venda de sua participação em um resort, mas negou qualquer relação de amizade com Vorcaro.
A cúpula do Congresso e o centrão buscam proteger Toffoli e evitar discussões sobre seu impeachment em decorrência do caso Master. Em conversas recentes, líderes partidários tentaram tranquilizar o magistrado, garantindo que o Legislativo não tomará medidas que o investiguem ou pressionem para renunciar ao cargo.
Esses líderes criticam o que chamam de “Lava Jato 2”, referindo-se ao vazamento seletivo de informações que visam desacreditar políticos e ministros do Supremo, além do pré-julgamento de Toffoli pela opinião pública.
Um grupo de parlamentares discute a possibilidade de criar uma CPI para investigar os vazamentos, mas até o momento, não houve iniciativa para coletar assinaturas. Há três pedidos de CPI sobre o Banco Master aguardando decisão dos presidentes do Senado e da Câmara, que hesitam em instalar essas investigações.
Além das críticas à PF, a cúpula do centrão também está atenta à atuação da Receita Federal, alegando que há direcionamento nas investigações para atacar adversários e vazamentos de informações que visam comprometer sua reputação.
Haddad, por sua vez, elogiou a gestão da Receita Federal, afirmando que as operações em andamento seguem a legalidade
