Mobilização de Tarcísio, Michelle, deputados e ministros do STF intensifica pressão por domiciliar Bolsonaro
Movimento por prisão domiciliar de Jair Bolsonaro ganha força com apoio político e preocupações de saúde.
A nova tentativa de obter a prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro está sendo impulsionada por uma coalizão de apoio que inclui familiares, políticos e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Especialistas em direito e políticos avaliam que as chances de que o ministro Alexandre de Moraes atenda ao pedido são mais concretas desta vez. Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, foi transferido para a unidade conhecida como Papudinha em janeiro, após iniciar o cumprimento da pena na superintendência da Polícia Federal.
A saúde do ex-presidente, que foi internado recentemente com broncopneumonia bacteriana, é um fator que tem sido utilizado para reforçar o pedido. Sua equipe médica considerou o estado de saúde grave, o que tem mobilizado esforços para a mudança de regime.
Aliados de Bolsonaro argumentam que a fragilização de Moraes, em meio a investigações relacionadas ao caso do Banco Master, pode influenciar sua decisão. A relação entre Moraes e Flávio Bolsonaro, que está empatado com Lula nas pesquisas eleitorais, é vista como um ponto de negociação.
Um dos argumentos apresentados é que a morte de Bolsonaro sob custódia seria vista como uma responsabilidade política do ministro. A concessão da prisão domiciliar, por outro lado, poderia mitigar essa pressão.
Interlocutores afirmam que Moraes demonstrou receptividade durante a visita de Flávio, que reiterou o pedido de prisão domiciliar. Michelle Bolsonaro também busca um novo encontro com o ministro para discutir a situação do ex-presidente, enfatizando a necessidade de cuidados médicos adequados.
Ministros próximos a Moraes estão se dedicando a essa causa, considerando a transferência uma questão humanitária. Há um crescente consenso entre os magistrados de que a deterioração da saúde de Bolsonaro poderia impactar negativamente a imagem do STF.
Com a proximidade das eleições, a corte está ciente de que a situação política pode complicar ainda mais se não houver uma solução. Assim, uma parcela significativa dos ministros já vê a prisão domiciliar como a melhor alternativa.
Nesta quinta-feira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reiterou o pedido de prisão domiciliar em reuniões com ministros do STF. Sua viagem a Brasília, embora focada em outro assunto, também foi uma oportunidade para discutir a situação de Bolsonaro.
Após a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, havia expectativas de que a domiciliar fosse concedida, mas o caso do Banco Master e os ataques de bolsonaristas a Moraes dificultaram um acordo. Com a recente internação, o tema volta à pauta.
Além disso, mais de cem deputados federais da oposição e do centrão assinaram um pedido para pressionar pela prisão domiciliar, mostrando que o apoio político é uma força significativa nesse movimento.
A defesa de Bolsonaro apresentou um novo pedido ao STF, argumentando que a piora da saúde do ex-presidente justifica a mudança de regime, destacando que a condição atual é incompatível com a preservação de sua saúde e integridade física.
