Moraes reconsidera decisão e impede visita de assessor americano a Bolsonaro

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Supremo Tribunal Federal nega visita de assessor americano a Jair Bolsonaro na prisão.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negou o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos EUA, na próxima semana.

A decisão foi revisada após um ofício do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que apontou a possibilidade de a visita configurar interferência nos assuntos internos do Brasil, especialmente em um ano eleitoral.

O ofício do Itamaraty destacou que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente em período eleitoral poderia ser vista como uma ingerência indevida. Moraes havia autorizado o encontro inicialmente, mas a defesa de Bolsonaro solicitou a antecipação da visita para terça-feira, o que levou Moraes a consultar o Itamaraty.

Vieira ressaltou que a agenda de Beattie se baseava em sua participação em um seminário sobre minerais críticos em São Paulo, mas não havia encontros agendados com o governo brasileiro. Após questionamentos do STF, a embaixada dos EUA consultou o Itamaraty sobre a possibilidade de um encontro oficial para discutir crime organizado, mas nada foi confirmado.

Além disso, a embaixada americana solicitou uma reunião com a Coordenação-Geral de Ilícitos Transnacionais do Ministério das Relações Exteriores, prevista para o dia 17, mas ainda sem confirmação. Beattie, que foi nomeado recentemente para um cargo no Departamento de Estado, tem laços próximos com figuras da extrema-direita brasileira.

Fontes indicam que a agenda de Beattie estaria focada em encontros com a extrema-direita, sem interesse em reuniões formais com o governo. A visita gerou desconforto no Brasil, que considera que há divisões dentro do governo americano que podem prejudicar as relações bilaterais, especialmente em um momento de aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

O governo brasileiro estuda a possibilidade de uma reclamação formal à embaixada dos EUA, refletindo preocupações sobre a influência de grupos que podem tentar minar as negociações entre os dois países, em um cenário eleitoral delicado.

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