Moraes solicita esclarecimentos da Papudinha sobre visita não autorizada a Anderson Torres

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Ministro do STF exige esclarecimentos sobre visita irregular a ex-ministro na Papudinha

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou que o Comando do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal apresente esclarecimentos em até 48 horas sobre uma visita não autorizada ao ex-ministro Anderson Torres, que está cumprindo pena no Complexo Penitenciário da Papuda.

Anderson Torres, que ocupou o cargo de Ministro da Justiça durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado a 24 anos de prisão por sua participação em uma trama golpista. Em um despacho datado de 20 de fevereiro, Moraes destacou um relatório do 19º BPM que menciona uma visita no dia 11 de fevereiro de 2026, das 17h às 19h, em desacordo com os horários previamente estabelecidos pelo Supremo.

Em uma decisão anterior, em 29 de janeiro, Moraes havia determinado que as visitas fossem realizadas às quartas-feiras e sábados, com horários fixos: das 8h às 10h, das 11h às 13h e das 14h às 16h. Devido à discrepância entre o que foi ordenado e o horário da visita mencionado no relatório, o ministro ordenou que o batalhão esclarecesse a situação. Segundo informações da PM, a visita fora do horário foi feita pelo pai e pela irmã de Torres, João Torres Filho e Patrícia Gisele Torres.

Atualmente, o ex-ministro está se dedicando a atividades dentro do sistema penitenciário, como a inscrição em cursos técnicos e a leitura de livros, com o objetivo de reduzir sua pena. Entre as obras disponíveis para leitura e resenha, estão títulos como “Ainda estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva, “Democracia”, de Philip Bunting, “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski, e a autobiografia de Martin Luther King.

Bolsonaro também está na Papudinha

No dia 15 de janeiro, Moraes determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Papudinha, uma unidade que abriga policiais e pessoas politicamente expostas.

A mudança foi motivada por queixas de Bolsonaro e de seus familiares sobre as condições em que ele estava vivendo na sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Fontes indicam que o ex-presidente recebeu a transferência de forma positiva. A articulação para a mudança foi liderada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Além de Bolsonaro e Torres, o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, também se encontra preso na Papudinha. Ele foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão por sua participação na gerência do plano golpista de 2022 e por usar a corporação para interferir nas eleições.

Conforme a condenação, Vasques teria solicitado relatórios de inteligência para organizar operações que dificultassem o deslocamento de eleitores no Nordeste, uma área tradicionalmente favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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