MotoGP em Goiânia: Lenovo e Ducati utilizam inteligência artificial e simulações para decisões estratégicas
O MotoGP retorna ao Brasil com inovações tecnológicas e análise de dados em Goiânia.
O MotoGP está de volta ao Brasil neste domingo (22), com a corrida programada para o Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, após um hiato de 22 anos. Este evento não apenas marca o retorno das corridas ao país, mas também destaca como a tecnologia e a análise de dados se tornaram essenciais nas operações das equipes da principal categoria do motociclismo mundial.
Durante as atividades preparatórias, executivos da Lenovo e da Ducati compartilharam com jornalistas detalhes sobre a infraestrutura tecnológica que embasa as decisões técnicas da equipe ao longo de cada fim de semana de corrida. A colaboração entre as duas empresas, que se iniciou em 2018 e se formalizou com a criação da equipe Ducati Lenovo em 2021, é um exemplo de como a parceria vai além do patrocínio tradicional, envolvendo uma participação ativa nas operações da equipe.
“Estamos integrados nas operações diárias da Ducati, trabalhando juntos para alcançar objetivos comuns”, afirmou uma das representantes da Lenovo, ressaltando a sinergia entre as duas organizações.
Cerca de 100 GB por fim de semana e IA aplicada em três frentes
Nicolò Mancinelli, gerente de desenvolvimento de veículos da Ducati Corse, revelou que cada etapa da MotoGP gera aproximadamente 100 gigabytes de dados coletados pelas seis motos Ducati no grid, incluindo as equipes satélite. Esses dados são enviados para um servidor de computação de alto desempenho no caminhão da equipe e replicados em tempo real para a sede em Borgo Panigale, na Itália, permitindo que engenheiros acompanhem as sessões remotamente. A inteligência artificial é aplicada em três frentes principais.
A primeira frente é o sensoriamento virtual, onde modelos de machine learning simulam medições que não podem ser registradas por sensores físicos devido a limitações de peso, espaço ou regulamentos.
A segunda frente envolve manutenção preditiva, utilizando algoritmos que identificam padrões que podem indicar falhas antes que se manifestem.
A terceira aplicação, mais recente, utiliza análise de vídeo, com câmeras ao longo do circuito registrando as trajetórias dos pilotos. Os algoritmos geram comparações visuais com os concorrentes sem precisar acessar a telemetria rival.
“A IA extrai indicadores e padrões de grandes volumes de dados. Ela não substitui a engenharia nem a física, mas complementa essas áreas”, afirmou Mancinelli.
Pista nova exigiu simulações contínuas antes dos treinos
O circuito de Goiânia apresentou um desafio adicional para a equipe, já que não havia histórico prévio de dados na pista, tornando os modelos baseados em inteligência artificial sem referência inicial para análise.
A solução encontrada foi mapear o circuito em três dimensões e realizar simulações durante a madrugada anterior às atividades em pista, com o objetivo de gerar um conjunto inicial de dados antes do início dos treinos livres.
Com base nessas simulações, a equipe previu velocidades máximas próximas de 360 km/h nos trechos mais longos do traçado. No entanto, variáveis como a aderência do asfalto novo só podem ser avaliadas nas primeiras voltas, momento em que os dados reais começam a alimentar os modelos computacionais.
Mancinelli também destacou os trechos curvos contínuos como um ponto crítico para o desgaste dos pneus, que exige monitoramento constante da temperatura ao longo das sessões.
Chatbot interno permite consultar anos de relatórios técnicos
Um dos projetos mais recentes da parceria é um chatbot interno, anunciado em janeiro e atualmente em fase beta. Essa ferramenta utiliza inteligência artificial generativa para responder a perguntas em linguagem natural sobre configurações anteriores e resultados de testes acumulados ao longo dos anos.
Na prática, engenheiros podem consultar rapidamente o comportamento de determinadas configurações em pistas com características semelhantes, reduzindo o tempo necessário para localizar informações em arquivos históricos.
“Este projeto demonstra o valor de ter um parceiro tecnológico dedicado. Nossa especialidade é construir motos, não desenvolver soluções de TI”, comentou Mancinelli, que também mencionou que atualizações do sistema estão previstas para 2026.
Da pista ao ambiente corporativo
A presença da Lenovo na MotoGP vai além da simples exposição da marca. Segundo Rodini, o ambiente de corrida serve como um cenário extremo para testar a infraestrutura tecnológica sob pressão.
A executiva ressaltou que o Brasil é um mercado em expansão para a empresa e que o retorno da Moto
