MPF abre investigação para apurar possível tortura e tratamento degradante no Big Brother Brasil

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Denúncias apontam que provas e dinâmicas do reality podem ter submetido participantes a condições extremas durante a edição de 2026.

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para investigar possíveis práticas de tortura psicológica e tratamento degradante contra participantes do reality show Big Brother Brasil, exibido pela TV Globo. A apuração busca verificar se determinadas dinâmicas do programa podem ter colocado competidores em situações consideradas abusivas ou prejudiciais à saúde física e mental.

A investigação foi motivada por denúncias que questionam algumas provas de resistência e a dinâmica conhecida como “quarto branco”, em que participantes permanecem isolados em um ambiente totalmente branco, submetidos a estímulos sensoriais e pressão psicológica para desistir da disputa. Segundo as representações enviadas ao MPF, essas condições poderiam expor os competidores a risco físico ou emocional.

Durante uma das dinâmicas da edição de 2026, participantes foram submetidos a longos períodos de confinamento com estímulos sonoros perturbadores — como sirenes, choros de bebê e ruídos intensos — além de momentos de escuridão total. Em alguns casos, competidores desistiram das provas alegando dores de cabeça, cansaço extremo e mal-estar.

A polêmica ganhou ainda mais repercussão após entidades ligadas aos direitos humanos criticarem publicamente o formato de determinadas provas. Um documento enviado às autoridades chegou a comparar as técnicas psicológicas utilizadas no reality a métodos de pressão e privação empregados em contextos de tortura psicológica.

Em resposta às críticas, a emissora responsável pelo programa afirma que mantém acompanhamento médico permanente dentro do reality, com equipes de saúde e suporte emergencial disponíveis aos participantes. A produção também sustenta que todos os competidores concordam previamente com as regras e os riscos das provas ao assinarem contrato para participar do programa.

O objetivo da investigação do MPF é analisar se, mesmo com consentimento contratual, as práticas adotadas pelo programa poderiam configurar violação de direitos fundamentais, especialmente no que diz respeito à dignidade e à integridade física e psicológica dos participantes.

Foto: Divulgação

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