Municípios gaúchos receberão vacina de dose única contra dengue nesta terça-feira
Vacina contra dengue chega ao Rio Grande do Sul com foco em profissionais da saúde.
Menos de uma semana após a entrega de quase 28 mil doses da vacina contra dengue pelo governo federal, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) iniciará a distribuição aos 497 municípios do Rio Grande do Sul. As prefeituras retirarão o imunizante em Porto Alegre, conforme anunciado pelas autoridades locais.
O público-alvo inicial são mais de 60 mil profissionais que atuam na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina, aprovada em dezembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é totalmente nacional e se destaca por ser a primeira no mundo com um esquema vacinal de apenas uma aplicação.
Estudos demonstraram a segurança e a eficácia do imunizante, que apresenta uma eficácia geral de 74,7%, subindo para 91,6% na prevenção de manifestações graves da dengue.
No próximo semestre, a campanha será expandida para a faixa etária de 15 a 59 anos, priorizando os mais velhos. Com o aumento da capacidade de produção do Butantan, em parceria com uma empresa farmacêutica da China, a vacinação será estendida aos mais jovens gradualmente.
Avanço
A estratégia nacional de vacinação contra a dengue foi lançada em maio de 2024. Desde então, aproximadamente 262 mil doses do imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório japonês Takeda Pharma, foram enviadas ao Rio Grande do Sul. Esse imunizante requer duas aplicações, com um intervalo de três meses entre cada uma.
No início da campanha, o público-alvo estava restrito à faixa de 10 a 14 anos, com foco em Porto Alegre e em cinco municípios da Região Metropolitana, escolhidos com base nos casos registrados nos últimos dez anos. Com o aumento da oferta de vacinas, o número de municípios atendidos foi ampliado, abrangendo todo o Estado no início deste mês, com cerca de 630 mil crianças e adolescentes incluídos na vacinação.
Estatística
Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou um grave surto da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, com 209 mil casos confirmados e 281 mortes. Em comparação, os registros caíram em 2025 para 44.029 casos e 52 mortes.
Os idosos (60 anos ou mais) foram as principais vítimas fatais da dengue em 2025, embora ainda não exista vacina disponível para este grupo etário. Enquanto a vacina não chega ao mercado, a eliminação de criadouros do mosquito transmissor continua sendo a principal estratégia de combate à dengue, febre chikungunya e ao zika vírus, que também são transmitidos pelo mesmo vetor.
