Nutanix aponta soberania de dados como o principal mercado inexplorado no Brasil
Brasil se destaca em soberania de dados, segundo especialista da Nutanix.
O diretor sênior de engenharia de sistemas da Nutanix para a América Latina, Leandro Lopes, afirma que o Brasil possui uma singularidade em relação à soberania de dados, comparável à Europa. Com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e regulamentações setoriais, o país tem um grande volume de dados internos que ainda não foram explorados, o que representa uma oportunidade significativa para o desenvolvimento de infraestrutura de inteligência artificial independente de provedores estrangeiros.
Lopes destaca que a base da inteligência artificial é a coleta de dados. No entanto, devido a regulamentações, muitas instituições, como as financeiras, não conseguem utilizar esses dados para modelos de IA. Ele menciona que, apesar de acumularem milhões de transações, as restrições contratuais e normativas limitam a exploração desse ativo valioso.
O executivo observa que o mercado brasileiro apresenta três níveis de maturidade. Os grandes provedores globais de nuvem estão prontos tecnologicamente, mas enfrentam desafios em relação à soberania. Já os provedores locais têm uma boa governança, mas precisam evoluir em tecnologia e portfólio. Lopes vê uma grande oportunidade para a Nutanix no setor corporativo, onde as empresas estão implementando inteligência artificial internamente.
Desafios na era da inteligência artificial
Um dos principais desafios na era dos agentes de inteligência artificial é a competição por recursos computacionais. Lopes explica que, em ambientes com múltiplos agentes operando, uma configuração inadequada pode monopolizar a capacidade, deixando outros processos inativos. Ele ilustra que um único agente pode consumir todos os recursos, enquanto outros permanecem ociosos devido a uma má configuração.
Para mitigar esse problema, a Nutanix lançou o Service Provider Central, um portal de gerenciamento multilocatário. Lopes compara essa solução a um prédio com vários apartamentos, onde cada inquilino tem sua própria unidade, mas compartilha a infraestrutura básica. Essa abordagem permite que cada cliente ou área de negócio opere de forma isolada, garantindo segurança e uso equitativo dos recursos, incluindo processamento gráfico.
A proposta é benéfica tanto para provedores de serviços com múltiplos clientes quanto para empresas que precisam segmentar seus ambientes internos, como finanças, compras e recursos humanos, todos utilizando a mesma plataforma.
Desafios da migração tecnológica
Outro aspecto destacado por Lopes é a ampliação do programa para provedores de serviços, que oferece incentivos financeiros para a migração de plataformas concorrentes. Essa iniciativa surge em resposta ao aumento de custos decorrente da mudança de política de licenciamento da Broadcom após a aquisição da VMware, o que levou muitos provedores a buscar alternativas.
Contudo, Lopes alerta que a migração tecnológica não ocorre de forma instantânea. Durante a transição, os provedores acabam arcando com os custos de ambos os ambientes, antigo e novo, sem poder repassar essa despesa ao cliente final. O programa Elevate Service Provider da Nutanix visa minimizar esse impacto financeiro durante o período de adaptação.
O surgimento das neoclouds
Lopes também mencionou o crescimento das neoclouds, operadoras focadas em processamento de inteligência artificial que estão se consolidando na Europa e começam a ser notadas no Brasil. Essas empresas, originadas de telecomunicações, oferecem infraestrutura de processamento que respeita a soberania dos dados, mantendo-os sob a legislação local e evitando as incertezas associadas a contratos com provedores globais.
O executivo acredita que o Brasil está bem posicionado para seguir essa tendência. Ele observa que o mercado brasileiro e latino-americano está mais alinhado com as práticas da Europa do que com as dos Estados Unidos, especialmente em termos de governança e soberania.
