Obras de restauro da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário em Rio Pardo avançam
Restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário é celebrada em evento especial.
Um evento programado para as 9h deste domingo (1º) marcará a conclusão da primeira fase do projeto de restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, localizada no município de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. Este templo, inaugurado há quase 250 anos, é considerado o mais antigo da região e simboliza a colonização portuguesa no Vale do Rio Pardo.
A estrutura da igreja apresentava sérios problemas, incluindo um telhado deteriorado devido à infiltração de água da chuva e danos causados por pragas, como brocas e cupins. Para reverter essa situação, foi realizado um trabalho meticuloso de recuperação, focado na parte estrutural de madeira, que incluiu imunização e troca das peças mais comprometidas.
Para garantir maior durabilidade e vedação do telhado, uma subcobertura metálica foi instalada sobre os caibros, acompanhada de novas telhas do tipo capa-e-canal, semelhantes às originais. O arquiteto responsável pela obra, Lucas Volpatto, explicou que as medidas foram criadas para evitar infiltrações, mantendo a madeira em melhores condições e reduzindo a vulnerabilidade a pragas. Além disso, foram implementados recursos de acessibilidade para facilitar inspeções e manutenções futuras.
Esse projeto é uma iniciativa da Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul e da Paróquia Nossa Senhora do Rosário – Rio Pardo, com a supervisão técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (Iphae). A obra foi financiada por recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), através da Secretaria Estadual da Cultura (Sedac), sob a gestão da Cult Assessoria e Projetos Culturais, com a coordenação do escritório Studio1 Arquitetura.
Glaci Braga, sócia-diretora da Cult, ressaltou a importância do projeto de restauração não apenas para a comunidade católica, mas também para todo o estado, uma vez que a igreja é um bem tombado pelo município desde 1980 e pelo Iphae em 2010. A edificação é um símbolo afetivo de grande valor histórico e cultural, inserido no conjunto de imóveis históricos de Rio Pardo.
Educação patrimonial
Para fomentar a conscientização sobre a relevância da preservação da Igreja Matriz, foram planejadas ações de educação patrimonial. Essas iniciativas ocorreram ao longo do ano passado e incluíram visitas guiadas por especialistas em patrimônio, arte e conservação, além da participação de acadêmicos de Arquitetura e estudantes do ensino fundamental e médio.
Durante o evento de entrega da etapa inicial, duas cartilhas serão distribuídas ao público. A elaboração deste material envolveu uma equipe multidisciplinar e parcerias com empresas e entidades envolvidas no projeto. A pesquisa e escrita ficaram a cargo dos historiadores Pedro Meirelles e Sofia Inda, enquanto o design gráfico foi desenvolvido por Telma Mota e Gabriela Pinto, com ilustrações de Betina Nilsson.
História
Pesquisas históricas indicam que uma capela foi construída no local em 1778, a qual foi posteriormente substituída por uma edificação mais robusta, iniciada em 1790 sob a direção do engenheiro militar Francisco João Roscio. A conclusão da obra ocorreu em 1801, ainda sem os elementos como torres, sinos, relógio e revestimentos internos ou externos.
A fachada da Igreja Matriz foi finalizada no século 19, apresentando um estilo eclético com detalhes neoclássicos. Seu acervo sacro é singular, incluindo o altar-mor e retábulos originais com imagens religiosas.
Os sinos e o relógio datam da década de 1850, assim como uma das torres; a outra foi finalizada em 1885. As pinturas internas foram realizadas entre 1927 e 1930, enriquecendo ainda mais a história deste templo histórico.
