Oposição critica Moraes por convocar presidente da Unafisco
Oposição critica ordem de intimação do STF a presidente da Unafisco
Políticos da oposição expressaram suas críticas nas redes sociais em relação à ordem do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que determinou a intimação do presidente da Unafisco, Kléber Cabral, pela Polícia Federal.
Cabral, que havia feito críticas ao Supremo, deverá prestar depoimento por videochamada na sexta-feira, às 15h. A situação gerou reações acaloradas entre os opositores do governo, que enxergam a ação como uma ameaça à liberdade de expressão.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, afirmou que a ordem de Moraes é um “alerta grave para a democracia” e pediu uma reforma no Judiciário. Ele ressaltou que a divergência de opiniões não deve ser tratada como crime e criticou o uso da estrutura do Judiciário para intimidar opositores.
Marinho destacou que a liberdade de expressão é uma garantia constitucional e não uma concessão. Ele também insinuou que a perseguição a opositores políticos, sob a justificativa de proteger a democracia, é apenas o início de um processo mais amplo de repressão.
O deputado federal Kim Kataguiri também se manifestou, afirmando que a Receita Federal está sendo alvo de perseguições por parte do ministro do STF. Ele questionou a falta de ação dos senadores da oposição, sugerindo que, se tivessem a maioria, já teriam tomado medidas mais drásticas contra Moraes.
Os deputados Carlos Jordy e Gustavo Gayer também se juntaram às críticas, com Jordy afirmando que Moraes já não disfarça sua falta de respeito à democracia. Gayer, por sua vez, insinuou que a intimidação poderia se estender a outros jornalistas, citando uma colunista de um importante veículo de comunicação.
As críticas surgem em meio a um contexto de investigações que envolvem a quebra de sigilo fiscal de ministros do Supremo e suas famílias, gerando preocupação entre os auditores fiscais da Receita Federal. Cabral, em entrevistas, mencionou que o temor de investigar autoridades é maior do que o de lidar com organizações criminosas.
A operação da Polícia Federal, que cumpriu mandados em várias cidades, faz parte de um inquérito sobre fake news que permanece inconcluso desde 2019. A Unafisco já manifestou sua preocupação com o devido processo legal e a presunção de inocência dos auditores fiscais, ressaltando que não devem ser usados como bodes expiatórios em disputas políticas.
A entidade lembrou que, em situações anteriores, acusações contra auditores foram desmentidas e que a instrumentalização de servidores públicos compromete a credibilidade das instituições e enfraquece o Estado de Direito.
