Oposição denuncia proteção de Lula a Lulinha após revelações sobre Careca do INSS
Oposição critica manobras do governo para evitar investigações na CPMI do INSS.
Parlamentares da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestaram descontentamento, na última segunda-feira (2), em relação à tentativa da base governista de obstruir as ações da CPMI do INSS, especialmente no que diz respeito ao empresário Fabio Luis da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente.
Recentemente, a comissão decidiu pela quebra de sigilo do empresário, uma medida que gerou protestos entre os membros do Partido dos Trabalhadores. Petistas acusam o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), de manipular a contagem de votos durante a deliberação sobre um total de 87 requerimentos. Além disso, foi aprovada a quebra de sigilo do Banco Master, vinculado a Daniel Vorcaro.
Entre as ações aprovadas, destaca-se a investigação contra o filho de Lula. Informações indicam que Lulinha admitiu ter recebido passagens e hospedagens pagas pelo lobista Antônio Carlos Camilo, apelidado de “Careca do INSS”. Este lobista é considerado um dos principais envolvidos em um esquema que aplicava descontos ilegais a aposentados e pensionistas.
Durante a discussão, parlamentares mencionaram as implicações da reportagem sobre o caso. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou: “Assim que quebramos o sigilo do Lulinha, surgiram novas informações sobre sua viagem com o Careca do INSS, que pagou suas passagens. Isso nos leva a crer que há muito mais a ser descoberto.”
O deputado Evair de Melo (PL-ES) também se pronunciou, ressaltando que Lulinha agora admite a presença do lobista em suas viagens, criticando a tentativa do PT de impedir a quebra de sigilo.
Em resposta, o governo buscou apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para anular a aprovação que permitiu a quebra de sigilo financeiro de Fabio Luis. Na última sexta-feira (27), a mesa diretora da CPMI do INSS enviou um ofício ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras solicitando informações relevantes.
Lula declarou que orientou seus aliados a permitir que as investigações avançassem, tanto na Polícia Federal quanto na CPMI em andamento no Congresso. Contudo, a base governista tem adotado estratégias para barrar requerimentos considerados delicados.
O deputado Luiz Lima (Novo-RJ) defendeu que o presidente do Senado deveria manter uma postura neutra diante da situação. Por outro lado, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) saiu em defesa de Lulinha, afirmando que ele se mostrou disposto a colaborar com as investigações e negando qualquer tentativa de proteção.
Pimenta destacou que “Fabio Luis já havia se colocado à disposição para colaborar antes da quebra de sigilo, e não há preocupação em relação a qualquer questão ligada ao INSS”. Ele concluiu afirmando que não existe interesse por parte do PT em impedir investigações.
