Os diferentes usos do pênis bovino: iguaria afrodisíaca na China e petiscos para animais de estimação no Brasil
Pênis bovino é consumido como petisco e afrodisíaco em diferentes culturas
Embora possa parecer inusitado para muitos brasileiros, o pênis de boi é considerado um alimento afrodisíaco em várias partes da Ásia, especialmente na China.
No Brasil, esse órgão, conhecido como vergalho, é frequentemente utilizado como um petisco para cães ou exportado, contribuindo para a receita de frigoríficos em todo o país.
Na medicina tradicional chinesa, o pênis de animais é valorizado por suas propriedades afrodisíacas, acreditando-se que ele pode beneficiar a saúde sexual dos homens. Essa crença se baseia na ideia de que consumir partes específicas do corpo animal pode tratar condições semelhantes nos seres humanos, conforme explica uma consultora gastronômica.
O consumo do pênis bovino é associado ao aumento do desejo sexual e à melhoria da função erétil. Na China, além do boi, outros animais, como cabritos e porcos, também são utilizados, com o pênis de tigre sendo considerado ainda mais potente.
Além de suas propriedades afrodisíacas, o pênis bovino é apreciado por sua capacidade de absorver temperos e caldos, podendo ser preparado de diversas maneiras: in natura, cozido, ensopado, desidratado ou em pó, sendo a versão desidratada a mais comum.
Para os pets, o vergalho é promovido como uma forma de entretenimento, ajudando a combater o tédio e contribuindo para a saúde dental dos cães.
Produção e aproveitamento no Brasil
A extração do pênis bovino é um processo relativamente simples, já que, ao contrário dos humanos, o órgão é interno e pode atingir até um metro de comprimento. Após a retirada, ele é higienizado e embalado individualmente.
O pênis é desidratado para venda, reduzindo seu peso de cerca de 500 gramas para 200 gramas por unidade. Essa prática de aproveitamento é comum no Brasil, onde praticamente todas as partes do boi são utilizadas e comercializadas.
Outras partes do animal também são aproveitadas, como a crina das orelhas, utilizada para fabricar pincéis, e os chifres, que podem ser transformados em berrantes ou moídos para uso em extintores. Além disso, órgãos como sangue e glândulas são direcionados para a indústria farmacêutica.
Todos os frigoríficos brasileiros comercializam o pênis bovino, e a quantidade de vergalhos produzidos é equivalente ao número de bois abatidos. Em um trimestre recente, o Brasil abateu mais de 5 milhões de bovinos machos, resultando na produção de uma quantidade similar de vergalhos.
Mercado e exportação
Atualmente, não há dados específicos sobre a quantidade de pênis bovino exportado, pois ele é classificado como “miudezas comestíveis de bovinos frescas ou refrigeradas” em registros oficiais. O Brasil gerou uma receita significativa com a venda dessas miudezas no exterior.
O valor da tonelada do produto pode alcançar preços elevados em mercados como Hong Kong. O frigorífico Sul Beef, por exemplo, informa que mais de 90% de suas vendas de vergalho são destinadas ao mercado asiático, enquanto o restante é voltado para o setor de petiscos.
Embora o vergalho tenha sido popular entre os chineses, seu consumo tem diminuído entre as gerações mais jovens, que preferem hábitos alimentares ocidentalizados. Isso reflete uma tendência semelhante observada em pratos tradicionais brasileiros, que também têm perdido espaço entre os jovens.
O pênis bovino, no entanto, continua a ser uma opção valiosa para o mercado de petiscos, com um aumento no interesse por produtos naturais e saudáveis para animais de estimação. O preço médio do quilo no mercado interno é acessível, com variações dependendo do peso e da forma de apresentação do produto.
