Pai de adolescente investigado na morte do cão Orelha diz que filho deve responder se houver culpa
Família afirma que respeita a investigação, mas pede que culpa seja comprovada; caso gerou protestos em várias cidades
O caso da morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha, agredido em Praia Brava, em Florianópolis (SC), continua repercutindo em todo o país — e agora com declarações de um dos pais de adolescentes investigados que ganharam espaço na mídia e nas redes sociais.
Em entrevista ao programa Fantástico (TV Globo), o pai de um dos jovens citados no inquérito afirmou que a família acompanha o andamento das investigações e espera que a responsabilidade de seu filho seja definida com base nos fatos. Segundo ele, “se ele fez alguma coisa, tem que responder”, destacando que a educação familiar não teria incentivado qualquer tipo de violência.
O homem ressaltou, porém, que é preciso que as acusações sejam devidamente comprovadas pelas autoridades para que a participação de cada adolescente seja estabelecida de forma inequívoca. Ele afirmou ainda que a família aguarda a conclusão de depoimentos e o avanço do processo para que a verdade dos fatos venha à tona e os responsáveis sejam identificados corretamente.
Contexto da investigação
Orelha, um cão comunitário de cerca de 10 anos, foi encontrado em 4 de janeiro com ferimentos graves na região da cabeça e morreu no dia seguinte, apesar dos esforços veterinários, devido à gravidade das agressões.
A Polícia Civil de Santa Catarina investiga inicialmente quatro adolescentes suspeitos de envolvimento no caso, com base em imagens de câmeras de segurança e depoimentos colhidos durante as diligências. Parte dessas imagens foi analisada como indicativa de que o animal sofreu agressões deliberadas.
Ainda não há prisão decretada e os jovens podem ser responsabilizados por meio de medidas socioeducativas, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), uma vez que são inimputáveis penalmente por serem menores de idade.
Repercussão e protestos por justiça
A brutalidade do caso motivou uma onda de comoção e protestos em diferentes cidades brasileiras, com manifestantes cobrando uma investigação rigorosa e penas mais duras para crimes de crueldade contra animais. A mobilização foi registrada inclusive em grandes centros urbanos, onde grupos de ativistas e moradores saíram às ruas clamor por “Justiça por Orelha”.
Autoridades policiais e promotorias de Santa Catarina adotaram medidas para acelerar a coleta de depoimentos, quebra de sigilos eletrônicos e outras diligências. A investigação também apura indícios de coação de testemunhas por parte de familiares de adolescentes, o que resultou no indiciamento de três adultos por esse crime, segundo a Polícia Civil.
Posicionamento da defesa
O advogado que representa duas das famílias envolvidas também se manifestou, defendendo que a responsabilização deve ocorrer apenas na proporção da participação de cada jovem nos fatos, uma vez que as versões sobre o episódio têm sido circuladas de forma intensa nas redes sociais.
Foto: Reprodução/ Redes sociais
