Paquistão Declara Guerra Aberta e Bombardeia Cabul em Resposta a Ataques de Drones do Talibã

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Conflito entre Paquistão e Afeganistão se intensifica com ataques mútuos.

Na madrugada desta sexta-feira, o Paquistão e o Afeganistão trocaram ataques em meio a um clima de tensão crescente, após a declaração de “guerra aberta” por parte de Islamabad.

O Exército paquistanês bombardeou várias cidades afegãs, incluindo a capital, Cabul. O governo do Paquistão declarou sua intenção de derrotar o Talibã, que atualmente controla o Afeganistão.

Em resposta, o Talibã anunciou que realizou com sucesso ataques aéreos com drones contra alvos militares no Paquistão. Autoridades paquistanesas, no entanto, afirmaram que os drones foram abatidos sem causar vítimas.

“Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é uma guerra aberta entre nós e vocês”, declarou o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, em uma rede social.

Jornalistas relataram explosões e a presença de caças sobrevoando Cabul e Kandahar, uma das principais cidades do sul afegão, que está sob controle talibã desde 2021.

As relações entre Paquistão e Afeganistão, que historicamente foram cordiais, se deterioraram nos últimos meses, com confrontos esporádicos e acusações mútuas.

O Paquistão, potência nuclear, acusa o Talibã de abrigar militantes que realizam ataques em seu território, enquanto o governo afegão nega essas alegações.

Na fronteira de Torkham, um jornalista testemunhou disparos de artilharia na manhã de sexta-feira, aumentando a preocupação entre os civis da região.

Os combates se intensificaram nas proximidades do campo de Omari, onde muitos repatriados afegãos foram forçados a fugir. Um repatriado de 65 anos relatou o pânico entre as famílias, incluindo ferimentos em crianças.

Outro repatriado mencionou que várias crianças desapareceram durante a confusão provocada pelos ataques.

‘Todos foram embora’

Relatos indicam que muitos civis deixaram suas casas sem documentos ou pertences, temendo pela segurança. A situação se agravou após uma ofensiva das forças afegãs em resposta aos bombardeios paquistaneses do fim de semana anterior.

O ministro do Interior do Paquistão descreveu os ataques recentes como uma “resposta adequada” às ações do Afeganistão, enquanto o governo afegão confirmou os ataques aéreos, mas afirmou que não houve vítimas.

Durante o Ramadã, as ruas de Cabul estavam tranquilas, com pouca presença de segurança, o que contrasta com a violência crescente nas áreas de fronteira.

Na tentativa de mediar o conflito, Irã e China se ofereceram para facilitar o diálogo entre as nações. O Irã, que compartilha fronteiras com ambos os países, busca evitar uma escalada do conflito, enquanto a China pediu moderação para alcançar um cessar-fogo.

Relações muito tensas

Desde quinta-feira, versões contraditórias sobre os eventos surgiram. O porta-voz afegão afirmou que dezenas de soldados paquistaneses teriam sido mortos, enquanto o primeiro-ministro do Paquistão negou essas alegações, afirmando que suas forças infligiram pesadas perdas ao inimigo.

Os ataques aéreos afegãos ocorreram após bombardeios paquistaneses em Nangarhar e Paktia, em resposta a recentes atentados suicidas no Paquistão.

A relação entre os dois países deteriorou-se significativamente, com a fronteira terrestre em grande parte fechada, exceto para afegãos retornando ao país, após combates que resultaram em mais de 70 mortes.

Após um cessar-fogo inicial mediado, várias tentativas de negociação falharam em produzir um acordo duradouro, enquanto o grupo EI Khorasan continua a operar na região, complicando ainda mais a situação.

Desde a volta ao poder do Talibã, a imposição de uma rígida interpretação da lei islâmica tem gerado preocupações sobre os direitos das mulheres e meninas, que permanecem excluídas da educação e do mercado de trabalho.

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