Pedreiro em MG clama por moradia digna diante do temor de novos deslizamentos

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Morador teme perder sua casa após deslizamento em Juiz de Fora que deixou mais de 20 mortos.

Desde a adolescência, Danilo Fartes, um pedreiro de 40 anos, seguiu os conselhos do pai e economizou para realizar o sonho de ter sua própria casa. O imóvel, localizado no Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora, reflete o cuidado e esforço da família para criar um lar confortável.

Recentemente, Danilo se vê angustiado com a possibilidade de perder tudo o que construiu ao longo de décadas. Sua casa está situada nas proximidades de um local onde um deslizamento de terra, ocorrido na última segunda-feira, resultou na morte de mais de 20 pessoas.

“Minha esposa, minhas irmãs e meus vizinhos estão sem dormir. Todos temem que ocorra um novo deslizamento”, desabafa Danilo.

Ele enfatiza que sua casa é o único lugar que possuem, um espaço conquistado com muito esforço e sacrifício. “Não temos recursos para nos mudar para outra região. Este é o nosso lar, onde conseguimos um pedaço de terra, construímos os cômodos e trouxemos a família. É a história de muitos trabalhadores. Não queremos viver na rua”, completa.

Danilo critica a falta de ações preventivas na região. “As autoridades muitas vezes esperam que a tragédia ocorra para agir. Não há um trabalho preventivo efetivo. As poucas obras de contenção na área foram realizadas apenas após os desastres e de forma pontual”, afirma.

Enquanto enfrenta essa incerteza, ele recorda os momentos de desespero ao tentar ajudar vizinhos soterrados. Moradores iniciaram os resgates antes da chegada das equipes oficiais, enfrentando riscos como choques elétricos e enxurradas.

“A população, em um ato de desespero, se uniu para ajudar, removendo os escombros com as próprias mãos”, relata.

Danilo também participou ativamente dos esforços de resgate, tentando salvar uma criança de apenas 3 anos. “Fiz massagem, coloquei a criança no carro e desci morro abaixo. Infelizmente, não conseguimos salvá-la”, lamenta.

Nascido e criado na comunidade, ele se esforça para manter a esperança entre os sobreviventes. “Tenho trabalhado na organização do trânsito, remoção de escombros e distribuição de alimentos. Estamos fazendo o que podemos, mesmo que não haja muito a ser feito neste momento”, conclui Danilo.

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