PF informa que Bolsonaro receberá cuidados na Papudinha e não será transferido para hospital
Laudo médico aponta necessidade de cuidados especiais para Jair Bolsonaro na prisão.
Uma perícia médica realizada sobre a saúde de Jair Bolsonaro indica que o ex-presidente precisa de cuidados especiais enquanto cumpre pena na Papudinha. O laudo aponta que ele apresenta risco de queda, mas não há necessidade de transferência para um hospital.
O documento, elaborado pela Polícia Federal a pedido do ministro Alexandre de Moraes, conclui que Bolsonaro possui doenças crônicas sob controle. A recomendação é de otimização dos tratamentos e medidas preventivas devido ao risco de complicações.
A defesa de Bolsonaro e a Procuradoria-Geral da República foram convocadas a se manifestar sobre os achados da perícia. Os apoiadores do ex-presidente esperam que o laudo fortaleça o pedido de transferência para prisão domiciliar.
O laudo busca esclarecer o quadro de saúde de Bolsonaro, suas necessidades e a possibilidade de internação em um hospital penitenciário, o que foi descartado pelos médicos. Perguntas sobre prisão domiciliar foram barradas por Moraes.
No início do ano, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro questionou Moraes sobre a possibilidade de conceder ao ex-presidente o mesmo benefício humanitário dado ao ex-presidente Fernando Collor, que foi diagnosticado com Parkinson.
O laudo destaca que Bolsonaro corre o risco de novas quedas, especialmente sem vigilância contínua. Os médicos observaram sinais neurológicos que aumentam esse risco, recomendando investigações diagnósticas adicionais.
Bolsonaro sofreu uma queda em janeiro, durante sua detenção na superintendência da Polícia Federal em Brasília. Após esse incidente, e em resposta a uma solicitação de Michelle, Moraes transferiu-o para uma cela mais espaçosa na Papudinha.
A visita dos médicos ocorreu no dia 20, quando examinaram o ex-presidente, revisaram resultados de exames anteriores e inspecionaram as condições do local. A principal queixa de Bolsonaro foi um soluço constante.
Os médicos levantaram a hipótese de que a combinação de certos medicamentos pode estar relacionada ao risco de quedas. O laudo afirma que a utilização concomitante de medicamentos que atuam no sistema nervoso central e cardiovascular cria um cenário de risco, com possíveis efeitos adversos como sedação e tontura.
Bolsonaro relatou aos médicos que sente tontura ao mudar de posição e que, ao caminhar, precisa de concentração ou apoio de outras pessoas para evitar quedas. Os médicos confirmaram a presença de comorbidades crônicas, incluindo hipertensão e obesidade.
O laudo recomenda uma avaliação mais aprofundada do quadro neurológico do ex-presidente, além de cuidados especiais, como a instalação de grades de apoio e equipamentos de monitoramento em sua cela. Também é recomendado seguir uma dieta apropriada e praticar atividades físicas.
Atualmente, Bolsonaro possui uma campainha de emergência e barras de apoio em sua cela. Ele recebe atendimento médico especial e uma unidade do Samu está disponível 24 horas para ele.
Os médicos criticaram a alimentação do ex-presidente, que se limita a um café da manhã simples, enquanto as demais refeições são trazidas por familiares. As marmitas preparadas por Michelle incluem arroz, feijão, proteína e salada, mas a dieta é considerada deficiente em frutas e verduras.
O laudo também descreve a rotina de Bolsonaro, que dorme por volta das 22h e acorda às 5h. Durante o dia, ele lê, assiste TV e realiza caminhadas. Recentemente, ele notou uma melhora no sono com o uso de um aparelho CPAP.
Embora Bolsonaro tenha mencionado que o soluço ainda é um problema, durante a visita médica ele não apresentou esse sintoma. Os médicos afirmaram que não foi comprovada a presença de depressão, e o ex-presidente disse que se preocupa com sua família.
