Planta considerada extinta há um século é redescoberta no litoral de São Paulo
Descoberta de planta considerada extinta surpreende pesquisadores na Ilha de Alcatrazes.
Uma expedição de campo na Ilha de Alcatrazes revelou uma descoberta inesperada: a Begonia larorum, uma planta que se acreditava extinta há mais de um século. O achado foi realizado por um grupo de pesquisadores da Unicamp e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que se depararam com a espécie em meio à vegetação densa e encostas úmidas da ilha.
A Begonia larorum, que é endêmica da região, não era observada desde a década de 1920, quando foi coletada pela última vez. Desde então, a comunidade científica presumiu que a planta havia sido extinta devido a incêndios e à introdução de espécies exóticas que afetaram o ecossistema local.
Recentemente, um estudo detalhando a redescoberta da planta foi publicado, onde os pesquisadores descreveram a localização, características e estado de conservação da Begonia larorum. Eles também sugeriram que a espécie seja incluída na Lista Vermelha da IUCN, uma medida importante para a conservação de espécies ameaçadas.
A ilha, situada a aproximadamente 35 quilômetros do continente, faz parte da Estação Ecológica Tupinambás e do Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes. Historicamente, o local foi utilizado para treinamentos de tiro pela Marinha do Brasil, o que resultou em incêndios e na destruição da vegetação nativa, colocando em risco diversas espécies endêmicas.
Apesar dos danos causados, a Begonia larorum conseguiu sobreviver em uma encosta isolada, longe das áreas mais afetadas. Essa resistência é um testemunho da adaptabilidade da planta e de sua importância ecológica.
Durante uma expedição em fevereiro de 2024, um dos pesquisadores avistou um único indivíduo da planta, fora da fase de floração. A descoberta foi um momento de grande emoção, pois a equipe havia revisado descrições antigas antes da expedição. Após a coleta de amostras, cinco clones foram reproduzidos no laboratório, e meses depois, uma pequena população de 19 indivíduos foi encontrada, com 17 deles em fase reprodutiva, indicando que a espécie estava se restabelecendo no ambiente natural.
Com o sucesso da coleta e a formação de uma nova população, os pesquisadores agora buscam que a Begonia larorum seja oficialmente reconhecida como uma espécie criticamente ameaçada. Eles pretendem realizar estudos genéticos e de interações bióticas para entender a longa sobrevivência da planta em isolamento. Segundo os pesquisadores, a ilha pode servir como um laboratório natural para entender como as mudanças climáticas podem afetar a biodiversidade no futuro.
