Polícia Federal informa que não é possível acessar arquivos da megaoperação no Rio
Polícia Federal solicita mídia física de vídeos sobre megaoperação que resultou em 122 mortes no Rio de Janeiro.
A Polícia Federal (PF) solicitou à Polícia Civil do Rio de Janeiro o envio de uma mídia física contendo 945 vídeos relacionados à megaoperação realizada em outubro de 2025, que resultou em 122 mortes.
De acordo com a PF, a impossibilidade de baixar e realizar a perícia nos arquivos se deve à falta de funcionalidade para download na plataforma onde os vídeos foram disponibilizados. O diretor-geral substituto da PF, William Marcel Murad, destacou que apenas a reprodução direta estava habilitada, inviabilizando a extração dos arquivos para análise.
O ofício, assinado na segunda-feira (23 de fevereiro de 2026), foi protocolado no sistema do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia seguinte. A solicitação é uma resposta a uma intimação do ministro Alexandre de Moraes, que havia dado um prazo de 15 dias para o governo do Rio enviar todas as imagens capturadas durante a operação.
Com o prazo se aproximando do fim, o ministro atendeu ao pedido do governo e concedeu uma extensão de 20 dias, determinando que a PF seria responsável pela perícia e análise das imagens, com um novo prazo de 15 dias para a conclusão do trabalho. Essas determinações fazem parte da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, que busca garantir direitos fundamentais nas favelas.
Murad também solicitou que, caso os arquivos fossem de um software proprietário, a Polícia Civil enviasse o aplicativo correspondente, argumentando que o grande volume dos arquivos tornava a situação ainda mais complexa.
DETERMINAÇÕES DO STF
Em abril de 2025, o STF estabeleceu critérios para reduzir a letalidade policial no Rio de Janeiro. As regras foram definidas no julgamento da ADPF 635, que foi protocolada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2019, argumentando que a segurança pública no estado violava direitos fundamentais.
Entre as determinações do STF estavam a obrigatoriedade de instalação de câmeras em viaturas e fardas policiais, criação de programas de saúde mental para os profissionais de segurança, regulamentação da presença de ambulâncias em operações e a proibição de intervenções policiais em áreas próximas a escolas e hospitais.
A Corte também exigiu que a polícia documentasse de forma detalhada cada operação e compartilhasse dados relevantes com o Ministério Público, reconhecendo a violação de direitos humanos por parte de organizações criminosas que atuam na região.
Pós-megaoperação, entidades como o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União questionaram o governador Cláudio Castro sobre o cumprimento dessas determinações.
MEGAOPERAÇÃO
A megaoperação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025, focou nos complexos do Alemão e da Penha, áreas com alta densidade populacional e histórico de confrontos entre forças de segurança e grupos criminosos.
O alvo principal da operação foi a facção Comando Vermelho (CV). O resultado foi alarmante, com 122 mortes registradas, incluindo cinco policiais, tornando-se a operação mais letal da história do Brasil, superando o número de vítimas da Operação Carandiru.
