Policiais são acusados de desvio de cocaína de sócio de Marcola, revela informante
Investigação revela desvio de cocaína por policiais civis em São Paulo.
Um informante da Polícia Civil de São Paulo revelou que policiais teriam interceptado e desviado uma carga de cocaína ligada a Gilberto Aparecido dos Santos, conhecido como Fuminho, associado ao líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcola.
O informante, Tiago Lobo, que foi assassinado em novembro do ano passado, apresentou um relato detalhado em um pedido de acordo de colaboração premiada. Ele descreveu rotas e a suposta divisão de valores relacionadas ao tráfico de drogas, afirmando que a carga foi interceptada na Rodovia Euclides da Cunha, na divisa com Mato Grosso do Sul.
Lobo mencionou nominalmente os investigadores Alexandre Idalgo, Rafaela Bertoletti e Alberto Solano como responsáveis pelo desvio da carga. Ele também alegou a existência de um vídeo que mostraria um dos informantes da polícia recebendo dinheiro proveniente da droga, evidenciando a participação de policiais em atividades ilícitas.
O informante anexou imagens da rodovia para contextualizar sua denúncia e afirmou que Fuminho operava em bairros centrais de São Paulo, mantendo uma “cozinha” de cocaína em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. A dinâmica do tráfico, segundo Lobo, envolvia a utilização de operadores financeiros e pagamentos via Pix, além de aplicativos de transporte para logística.
No entanto, Lobo reverteu suas acusações em um e-mail enviado à Corregedoria, afirmando que não estava envolvido em atividades criminosas e que seu objetivo era apenas contribuir como testemunha. Em resposta, a Corregedoria solicitou que o caso tramitasse sob sigilo devido à gravidade das alegações.
As investigações continuaram, e provas foram coletadas que corroboram parcialmente as declarações de Lobo. O assassinato do informante está sendo investigado como parte de desavenças entre traficantes locais.
A Corregedoria de São Paulo afirmou que não tolera desvios de conduta e que todos os casos comprovados são punidos rigorosamente. O inquérito já foi enviado à Justiça, e os três policiais mencionados foram indiciados, assim como dois informantes que aparecem nas gravações.
Os cinco indivíduos estão sendo investigados por associação criminosa e tráfico de drogas. A Corregedoria informou que a apuração foi conduzida dentro da legalidade, garantindo os direitos de defesa dos acusados.
As defesas dos policiais indiciados negaram as acusações, ressaltando que não há provas concretas que os vinculem a qualquer ato ilícito. Eles argumentaram que a operação que resultou na apreensão da droga foi legítima e que o policial Cleber Gimenez, mencionado nas denúncias, não estava ligado aos fatos investigados.
A defesa também solicitou a remessa do caso ao Gaesp, grupo do Ministério Público que investiga ações policiais, para garantir a imparcialidade da investigação. Eles afirmaram que as acusações contra Gimenez são baseadas em declarações unilaterais de um traficante e que sua inocência será comprovada no Judiciário.