Portugal se destaca como principal destino de imigrantes na União Europeia
Portugal lidera na imigração na UE, com crescimento significativo de estrangeiros entre 2012 e 2023.
Dados recentes revelam que Portugal se destacou como o Estado-membro da União Europeia que mais recebeu imigrantes entre 2012 e 2023, com uma taxa média anual de crescimento de 34,3%. Este índice é consideravelmente superior à média europeia de 8,8%. Estônia e Lituânia também apresentaram altas taxas, mas não se aproximam do desempenho português.
Estima-se que mais de 500 mil brasileiros residam em Portugal, com 412 mil deles registrados como trabalhadores. Essa comunidade tem crescido, refletindo a busca por oportunidades em um país que, apesar dos desafios demográficos, se mostra atraente para imigrantes.
No entanto, Portugal não lidera em termos de proporção de estrangeiros na população residente. Com 9,6%, o país ocupa a 12ª posição na UE, muito distante de Luxemburgo, onde 47,3% da população é composta por estrangeiros, a maior taxa do bloco.
A imigração ocorre em um contexto demográfico complicado, com Portugal sendo o segundo país mais envelhecido da UE, apenas atrás da Itália. A relação entre jovens e idosos é alarmante, com 53 jovens para cada 100 idosos, enquanto a Irlanda, com a população mais jovem, apresenta 122 jovens para cada 100 idosos.
Além disso, apenas 25,6% das famílias portuguesas têm crianças, uma queda significativa de 6,8 pontos percentuais em relação a 2011. A Eslováquia lidera este indicador com 35,6% de famílias com crianças.
No mercado de trabalho, Portugal se destaca por ter a população ativa menos escolarizada da UE, com 40% das pessoas sem ensino médio. Este índice é muito superior ao de países como Polônia e Lituânia. Entretanto, entre os jovens de 25 a 34 anos, a taxa de escolaridade superior já se alinha à média europeia, com 43,2% de diplomados.
O debate sobre imigração, que está sendo influenciado por uma nova legislação, assume um caráter econômico significativo. As contribuições dos imigrantes para a Segurança Social superam amplamente os benefícios recebidos. Em 2025, por exemplo, os estrangeiros receberam 811 milhões de euros em prestações sociais, mas pagaram aproximadamente 4,1 bilhões de euros em impostos, resultando em um saldo positivo para as contas públicas.
Os imigrantes têm um impacto notável em diversos setores. Na agricultura, já existem mais contribuintes estrangeiros do que portugueses. No setor de alojamento e restauração, quase 40% dos contribuintes são estrangeiros. Após considerar os apoios sociais, a Segurança Social ainda apresenta um saldo superior a 3 bilhões de euros proveniente dos descontos dos imigrantes, com um aumento significativo de 465 milhões de euros de 2024 a 2025.
De acordo com estimativas, no final de 2024, Portugal contava com cerca de 1,6 milhão de imigrantes, incluindo aproximadamente 484 mil brasileiros. Este número não inclui brasileiros que possuem cidadania de outros países da UE. O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, mencionou anteriormente que o número de brasileiros residentes poderia chegar a 550 mil.
Com uma população total de pouco mais de 10 milhões, os filhos de cidadãos brasileiros representam 49,5% dos estudantes estrangeiros nas escolas públicas para o ano letivo de 2024/2025.
Recentemente, a Pordata lançou uma plataforma interativa para comemorar os 40 anos da adesão de Portugal à Comunidade Econômica Europeia. Esta ferramenta, que utiliza dados do Eurostat, permite a comparação de indicadores entre os 27 países da UE, abordando temas como população, economia, custo de vida e ambiente, e ajuda a entender a imigração como um fenômeno demográfico e um fator crucial para o mercado de trabalho e as contas públicas do país.
