Prefeito de Caxias do Sul adverte que aumento do vale-alimentação pode resultar em elevação significativa do IPTU
Prefeito de Caxias do Sul alerta sobre impacto do reajuste do vale-alimentação
O prefeito de Caxias do Sul, Adiló Didomenico, manifestou preocupação em relação ao reajuste do vale-alimentação dos servidores, que passaria de R$ 949,52 para R$ 1.899,00. Ele destacou que essa mudança pode acarretar um custo anual superior a R$ 81 milhões, considerando tanto a administração direta quanto a indireta.
Adiló enfatizou que, se a proposta for aprovada pela Câmara de Vereadores, o impacto financeiro poderá resultar em um aumento considerável do IPTU para os contribuintes a partir de 2027. Além disso, com a previsão de um aumento do IPCA em abril, estimado em 4,26%, o valor real do benefício alcançaria R$ 1.979,89.
Durante uma coletiva de imprensa, o prefeito reforçou que a administração municipal não possui recursos disponíveis para cobrir essa despesa, a não ser por meio de um aumento na arrecadação. A proposta de reajuste foi aprovada pelos vereadores no dia 6 de janeiro, com a única oposição da vereadora Daiane Mello (PL). Em uma entrevista no dia 10 de janeiro, Adiló confirmou seu veto à proposta.
O prefeito destacou que o reajuste do auxílio-alimentação, que não estava previsto no orçamento anual, somaria aproximadamente R$ 60 milhões ao acordo do Caso Magnabosco, totalizando R$ 141 milhões em despesas adicionais. Ele comparou esse impacto com a arrecadação do IPTU, que gira em torno de R$ 151 milhões por ano.
Adiló alertou que, caso o veto ao projeto seja derrubado, o município poderá ser forçado a aumentar drasticamente o IPTU, em torno de 52%, para manter salários e despesas básicas.
“Tu vai deixar de pagar salário? Vai deixar de pagar folha? Não. É possível que o IPTU tenha um aumento abismal no ano que vem para suportar isso”, alertou.
Na coletiva, foi destacado que a medida aprovada pela Câmara não afeta apenas os servidores do Legislativo. O regime dos servidores municipais é único, conforme o estatuto aprovado em 1992, o que estende automaticamente o benefício aos cerca de 7.300 servidores do município.
O chefe do Executivo também mencionou que o Sindiserv tem conhecimento do impacto financeiro e reconhece as limitações orçamentárias do município.
Por fim, Adiló expressou a expectativa de que os vereadores reavaliem a decisão e mantenham o veto, para que Executivo, Legislativo e sindicato possam discutir uma alternativa viável que respeite a capacidade financeira do município.
