Presidente do INSS revela desconfiança sobre contrato com Master

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Presidente do INSS revela irregularidades em contratos do Banco Master durante depoimento à CPMI.

Durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Gilberto Waller Júnior, presidente do INSS, expressou preocupação com as condições dos contratos de crédito consignado do Banco Master. Ele destacou que a autarquia havia solicitado a análise dos contratos devido a suspeitas de irregularidades.

Desde setembro, o INSS já demonstrava desconfiança em relação à validade dos contratos do Banco Master, motivada pelo grande número de reclamações feitas por pensionistas. Waller Júnior afirmou que a situação era insustentável e que a continuidade dos serviços prestados pelo banco aos aposentados e pensionistas não poderia ser mantida diante do elevado volume de queixas.

O presidente do INSS também esclareceu que nunca teve contato direto com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As interações sempre foram mediadas por outros dirigentes e advogados. “Vorcaro nunca esteve no INSS, e eu não participei de reuniões com ele”, afirmou.

Os contratos com o Banco Master foram cancelados em 8 de outubro, e a falta de comunicação da instituição após essa data foi considerada estranha. “Eles não nos procuraram de 8 até 31 de outubro, o que chamou nossa atenção”, disse Waller Júnior, referindo-se à ausência de negociações ou tentativas de contato para discutir a situação.

Os representantes do Banco Master se manifestaram apenas no final de outubro. Waller Júnior solicitou a apresentação dos contratos de crédito consignado, mas mais de 3 mil documentos estavam ausentes. Ele relatou que os contratos apresentados careciam de informações essenciais, como valor emprestado, taxa de juro e custo efetivo. Além disso, a assinatura eletrônica dos segurados não possuía QR code, o que impossibilitava a verificação da autenticidade.

Apuração do Banco Master

O Banco Master foi liquidado em novembro, sob ordens do Banco Central, após a Polícia Federal iniciar a operação Compliance Zero. Essa operação investiga a instituição por emitir títulos de crédito falsos, com o objetivo de inflar artificialmente sua carteira de investimentos. Daniel Vorcaro foi preso durante a operação, mas liberado dez dias depois, sob medidas restritivas.

Embora a CPMI do INSS não aborde diretamente o escândalo do Banco Master, a comissão busca esclarecer indícios de envolvimento da instituição em fraudes relacionadas a descontos de aposentados e pensionistas. Daniel Vorcaro está entre os convocados para depor na CPMI, e um acordo foi estabelecido com sua defesa para que seu depoimento ocorra após o Carnaval, na reunião marcada para o dia 26.

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