Produção de soja no Paraguai deve alcançar recorde de 11,53 milhões de toneladas
Produção de soja no Paraguai pode alcançar novo recorde histórico.
A estimativa de produção da safra principal de soja no Paraguai foi ajustada, passando de 9,65 milhões para 10,14 milhões de toneladas. Essa revisão posiciona o ciclo atual entre os mais produtivos da história do país.
Se a segunda safra conseguir atingir um volume próximo de 1,39 milhão de toneladas, a produção total pode chegar a 11,53 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde histórico.
As perspectivas otimistas começaram a se concretizar com o avanço da colheita em janeiro. As boas chuvas registradas em dezembro resultaram em áreas colhidas com produtividades acima da média histórica, reforçando o cenário de oferta elevada. O desempenho produtivo acima do esperado levou a uma revisão positiva dos rendimentos médios na maioria dos departamentos produtores.
As revisões mais significativas foram observadas nos principais polos agrícolas do país. No noroeste da Região Oriental, o Alto Paraná teve seu rendimento médio ajustado para 3,6 toneladas por hectare, enquanto Canindeyú alcançou 3,5 t/ha. Na faixa centro-sul, Caaguazú e Itapúa elevaram suas produtividades para 3,4 t/ha, e também foram registrados ajustes positivos em Guairá, Caazapá, San Pedro e Paraguarí.
Outro aspecto relevante é o ritmo da colheita. Até o final de janeiro, entre 20% e 30% da área cultivada havia sido colhida em nível nacional, com um avanço mais acelerado no norte da Região Oriental em comparação ao sul, um comportamento considerado atípico. Normalmente, o Sul lidera as colheitas, mas as condições climáticas atuais prolongaram o ciclo vegetativo nessa região. A expectativa é que o pico da colheita ocorra nas duas primeiras semanas de fevereiro, com a conclusão até o final do mês.
No mercado, o aumento da oferta já está exercendo pressão sobre os preços. Apesar de a comercialização antecipada estar alinhada com a média dos últimos três anos, com 33,6% da produção já negociada, os basis estão em queda. Em Assunção, os valores caíram de cerca de USD -23 por tonelada no início de dezembro para patamares próximos a USD -40 por tonelada desde meados de janeiro.
Esse movimento tende a se intensificar à medida que a colheita regional avança. Em 2 de fevereiro, uma importante análise revisou para cima a estimativa de produção de soja no Brasil para a safra 2025/26, elevando o volume para 181,6 milhões de toneladas. Com os ajustes observados no Paraguai e em outros países da América do Sul, o mercado caminha para um cenário de ampla oferta nos próximos meses, o que deve continuar influenciando a formação dos preços.
O preço pago ao produtor é influenciado por diversos componentes, sendo os principais a referência internacional da Bolsa de Chicago e o basis, que apresenta particularidades regionais. No Paraguai, a falta de exportações diretas para a China, devido às relações diplomáticas com Taiwan, altera sua dinâmica em comparação ao Brasil.
As margens de esmagamento na Argentina também têm um papel central na formação do basis paraguaio, uma vez que mais de 85% da soja do país é escoada via transporte fluvial para Rosário. Por outro lado, o preço em Chicago está sujeito a fatores globais, como o balanço mundial de oferta e demanda, o consumo norte-americano, as políticas de biocombustíveis dos EUA e as relações comerciais entre EUA e China.
No Brasil, a formação do basis é influenciada por componentes locais, com destaque para a safra recorde projetada pela análise. As mais de 11 milhões de toneladas estimadas no Paraguai seguem uma dinâmica distinta, mais ligada à demanda argentina e às margens de esmagamento daquele país.
Por fim, o impacto do aumento da safra paraguaia sobre o mercado brasileiro tende a ser limitado. Embora a produção tenha avançado de cerca de 9,9 milhões para aproximadamente 11,5 milhões de toneladas, o volume adicional é pequeno quando comparado à expansão da oferta no Brasil. Efeitos pontuais podem ser sentidos em estados de fronteira, como Paraná e Mato Grosso do Sul, mas, de modo geral, o crescimento da produção paraguaia não deverá exercer pressão relevante sobre o mercado brasileiro.
