Promotoria solicita júri popular para policiais militares envolvidos na chacina de Paraisópolis
Ministério Público de São Paulo solicita júri popular para policiais envolvidos em massacre em baile funk.
O Ministério Público de São Paulo requer que os 13 policiais militares envolvidos na morte de nove jovens durante um baile funk em Paraisópolis sejam submetidos a júri popular.
O incidente ocorreu na noite de 1° de dezembro de 2019, quando os jovens estavam presentes no baile funk da DZ7, localizado na comunidade de Paraisópolis, na capital paulista. As mortes levantaram questões sobre a atuação policial e o uso da força em situações de aglomeração.
A promotora de Justiça, em suas alegações finais durante uma audiência no Tribunal de Justiça de São Paulo, enfatizou que o pedido visa apenas determinar se os policiais devem ser levados a júri popular, uma etapa crucial no processo judicial.
O júri popular, previsto na Constituição, é um mecanismo que permite a julgamento de crimes dolosos contra a vida por um grupo de cidadãos. Nesse formato, sete jurados são selecionados da população para decidir sobre a culpabilidade ou inocência dos réus.
Os 13 policiais militares enfrentam acusações de lesões corporais e homicídios triplamente qualificados, que incluem motivos torpes, uso de recursos que impossibilitaram a defesa das vítimas e a utilização de meios cruéis em um contexto de perigo comum.
A promotora argumenta que as evidências coletadas durante a investigação indicam que os policiais agiram de forma irresponsável ao bloquear as saídas do local do baile, criando um cenário de pânico e impedindo a fuga dos jovens. Além disso, a promotora alega que houve uso excessivo da força por parte dos agentes.
De acordo com o Ministério Público, a multidão presente no baile foi cercada pelos policiais, levando-a a se refugiar em um espaço inadequado para o número de pessoas, a Viela do Louro, o que contribuiu para a tragédia.
O massacre
O massacre em Paraisópolis resultou na morte de nove jovens durante o baile funk, um evento que deveria ser de celebração e diversão.
As vítimas foram identificadas como Gustavo Cruz Xavier, Denys Henrique Quirino da Silva, Marcos Paulo de Oliveira Santos, Dennys Guilherme dos Santos Franco, Luara Victoria de Oliveira, Eduardo Silva, Gabriel Rogério de Moraes, Bruno Gabriel dos Santos e Mateus dos Santos Costa, com idades variando de 14 a 23 anos.
Na época, a Polícia Militar justificou a ação dos agentes afirmando que eles reagiram a um suposto ataque de criminosos que teriam disparado contra as viaturas e se dirigido ao baile. Essa versão, no entanto, é contestada pelas famílias das vítimas.
A narrativa oficial da corporação sugere que as mortes ocorreram devido ao pisoteamento das vítimas, uma explicação que é amplamente contestada pelos parentes e pela comunidade, que clama por justiça e esclarecimento dos fatos.