Prontuário universal tem potencial para transformar o sistema de saúde no Brasil
Digitalização da saúde no Brasil avança com desafios e promessas.
Nesta terça-feira (7), celebra-se o Dia Mundial da Saúde no Brasil, em um momento em que a saúde brasileira se encontra em meio a uma transformação digital significativa. Em 2026, a proposta é consolidar o que muitos chamam de “Open Finance da saúde”, um modelo que visa modernizar e unificar o histórico clínico dos pacientes.
A ideia central é criar um histórico clínico digital que acompanha o cidadão, eliminando barreiras burocráticas que dificultam o acesso e a gestão dos dados de saúde. A proposta busca facilitar tanto a vida dos pacientes quanto a dos profissionais de saúde, além de oferecer um panorama mais claro para pesquisas clínicas e políticas públicas.
No entanto, a implementação desse modelo enfrenta desafios devido à maturidade digital desigual do sistema de saúde brasileiro. O aplicativo “Meu SUS digital”, que já conta com mais de 50 milhões de downloads, representa apenas a ponta do iceberg em um ecossistema que ainda luta para integrar as instituições de saúde de forma eficiente.
A posse do dado clínico
A mudança de paradigma proposta exige não apenas uma atualização técnica, mas também uma reavaliação jurídica e filosófica sobre a propriedade dos dados de saúde. A premissa é que o paciente deve ser considerado o verdadeiro proprietário de sua jornada de saúde, o que implica em um sistema robusto de proteção de dados.
Especialistas alertam que, para que o prontuário único funcione, é necessário que as instituições de saúde adotem uma abordagem centrada no paciente. A centralização dos dados requer uma cadeia de proteção que garanta a privacidade e a segurança das informações.
Contudo, a gestão desses dados ainda esbarra em uma infraestrutura desatualizada. Apesar de o Brasil dispor de tecnologia avançada, a maioria das instituições ainda opera com processos antiquados, dificultando a plena utilização das ferramentas disponíveis.
Na prática médica, a utilização de dados isolados não é suficiente para promover a cura. A eficácia das ferramentas de suporte à decisão clínica depende da qualidade e da estruturação dos dados disponíveis, conforme destacam especialistas da área.
Prontuário unificado como ferramenta de negócio
O conceito de saúde unificada visa promover um compartilhamento eficiente de informações, reduzindo custos e evitando a duplicidade de exames. O desafio para 2026 será equilibrar essa transparência com as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo que os dados sejam utilizados de forma ética e não discriminatória.
A estratégia de algumas instituições, como o HCOR, é inverter o modelo assistencial, priorizando a saúde preventiva em vez da cura de doenças. Essa mudança de foco é essencial para transformar os dados em ferramentas de predição, melhorando o cuidado ao paciente.
Para muitos especialistas, o avanço do prontuário universal é um benefício significativo para a gestão de saúde, permitindo um acompanhamento contínuo e integrado dos pacientes, desde a infância até a terceira idade.
O papel da inteligência artificial
A inteligência artificial (IA) emerge como uma ferramenta crucial para lidar com o grande volume de dados gerados no sistema de saúde. Ela pode transformar informações de milhões de pacientes em padrões de cuidado personalizados, contribuindo para uma abordagem preditiva na saúde.
Essa nova realidade exige profissionais de tecnologia com habilidades que vão além do aspecto técnico, necessitando de pessoas que compreendam a complexidade do ambiente digital e consigam traduzir isso para os profissionais de saúde.
A IA não deve ser vista como um substituto do médico, mas sim como um aliado que pode melhorar a eficiência dos processos de atendimento, aliviando a carga sobre os profissionais de saúde e contribuindo para um melhor ambiente de trabalho.
Democratização da saúde e o papel do SUS
No setor público, a tecnologia representa uma oportunidade sem precedentes para promover a equidade no acesso à saúde. Com um investimento significativo do governo, a meta é levar especialistas até os pacientes, independentemente de sua localização.
O SUS é visto como um motor fundamental para essa transformação, já que promove um modelo de saúde que prioriza a inclusão e a participação ativa dos usuários. Essa abordagem permite que a tecnologia beneficie a todos, evitando a elitização do acesso à saúde.
A integração das diversas camadas do sistema é essencial para criar uma jornada de cuidado contínua e eficiente. Isso não só melhora o atendimento, mas também facilita a realização de pesquisas e a análise de dados ao longo do tempo.
Essa lógica de democratização tem um impacto
