PT aciona Justiça para barrar homenagem a presidenciáveis do PSDB no Carnaval
PT e desfile de escola de samba: uma comparação entre passado e presente
Vinte anos antes da Acadêmicos de Niterói prestar homenagem ao presidente Lula, o PT buscava impedir um desfile em São Paulo que celebrava pré-candidatos do PSDB à Presidência.
Em fevereiro de 2006, Arselino Tatto, então líder da bancada dos vereadores do PT em São Paulo, moveu uma ação popular no Tribunal de Justiça de São Paulo. A intenção era barrar a apresentação da escola de samba Leandro de Itaquera, que homenagearia o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ex-prefeito José Serra, ambos do PSDB e possíveis candidatos à presidência nas eleições daquele ano.
Os bonecos gigantes de Alckmin e Serra fariam parte de um dos carros alegóricos da escola, cujo presidente, Leandro Alves Martins, tinha um histórico de candidaturas pelo PSDB.
O enredo do desfile destacaria as obras de rebaixamento da calha do Tietê, um projeto emblemático de Alckmin. A escola já havia abordado o tema nos anos 1990, mas decidiu revisitá-lo com uma nova abordagem.
Na ação judicial, Tatto argumentou que a homenagem representava uma “promoção pessoal de políticos e autoridades”.
A juíza Márcia Cardoso, da 11ª Vara da Fazenda Pública, negou o pedido de liminar, sustentando que a alegação baseava-se em suposições e não poderia se sobrepor ao princípio da liberdade de expressão artística.
No dia do desfile, os bonecos de Alckmin e Serra foram apresentados logo atrás de um carro que representava a parada do orgulho gay. A Leandro de Itaquera acabou rebaixada naquele ano.
Meses depois, o desfile voltou a ser questionado pelo PT, após a revelação de que o banco estadual Nossa Caixa havia patrocinado a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo com R$ 1,5 milhão, um valor superior ao investimento de R$ 1,2 milhão em publicidade para divulgar os resultados do banco em 2005.
Cem funcionários da Nossa Caixa participaram do Carnaval, utilizando fantasias doadas pela Leandro de Itaquera, e contribuíram para o samba-enredo sobre as obras do Tietê realizadas por Alckmin.
Em entrevista, Arselino Tatto destacou que as situações de 2006 e do presente são distintas. Ele afirmou que, no caso da Leandro de Itaquera, houve envolvimento direto de tucanos nas decisões da escola, enquanto na homenagem da Acadêmicos de Niterói não houve interferência do governo federal ou de Lula.
Tatto mencionou que Lula procurou a Controladoria-Geral da União para se informar e, após receber garantias jurídicas, a homenagem foi considerada apropriada e bem recebida.
