Puerto Vallarta em Chamas: O Paraíso Mexicano Abalado pela Morte do Chefão do Tráfico
Puerto Vallarta enfrenta onda de violência após morte de narcotraficante.
Puerto Vallarta, tradicionalmente um destino turístico popular, foi palco de uma onda de violência sem precedentes após a morte de Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, líder do Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG). O incidente, que ocorreu no último domingo, transformou a cidade em um cenário de destruição, com veículos incendiados e lojas vandalizadas.
Moradores e turistas expressam seu choque diante da situação. Javier Pérez, um engenheiro local, descreve a cena como uma “zona de guerra”, enquanto percorre um estacionamento repleto de carros queimados. A tranquilidade que caracterizava Puerto Vallarta foi abruptamente substituída pela violência, que já era comum em outras partes do estado de Jalisco.
A morte de Oseguera, um dos narcotraficantes mais procurados do México, desencadeou uma série de ataques coordenados pelo cartel. Estradas foram bloqueadas, veículos foram incendiados e estabelecimentos comerciais foram alvos de vandalismo em 20 dos 32 estados do país, refletindo a extensão do poder e influência do CJNG.
Até então, Puerto Vallarta havia sido um refúgio seguro para turistas, especialmente canadenses e norte-americanos, que buscavam escapar do frio em seus países. No entanto, a cidade agora se vê envolta em nuvens de fumaça e insegurança, como relatou Farah Saunders, uma aposentada canadense que ficou presa na cidade devido ao cancelamento de voos.
O prefeito Luis Ernesto Munguía informou que mais de 200 veículos foram queimados e cerca de 40 estabelecimentos sofreram vandalismo. Além disso, 23 presos conseguiram escapar de um presídio local em meio ao caos. A fumaça visível da cidade foi um sinal claro do desespero que tomou conta da região.
Na terça-feira seguinte aos ataques, os vestígios de destruição permaneciam, com lojas e centros comerciais fechados. Saunders, que estava hospedada em um hotel de luxo, compartilhou sua preocupação com a segurança, afirmando que nunca havia experimentado algo semelhante em sua vida no Canadá.
Os ataques foram particularmente devastadores em áreas como o bairro Fluvial Vallarta, onde pistoleiros do cartel queimaram veículos de clientes e fornecedores em um supermercado atacado. Moradores, como Javier Pérez, questionam a falta de alertas por parte do governo para que a população pudesse se proteger.
O impacto da violência se estende além da destruição física, afetando a imagem da cidade e a economia local. Empresários, como Saíd Díaz, que recentemente investiu em um negócio de motocicletas, lamentam a perda de seus empreendimentos e o temor de que turistas deixem de visitar a região.
A situação em Puerto Vallarta destaca a fragilidade da segurança em áreas antes consideradas seguras no México, refletindo um panorama complexo da luta contra o narcotráfico e suas consequências devastadoras para a sociedade.
