Quarenta e seis anos após sua estreia, apenas 25 motocicletas completaram o Rali Dakar, incluindo duas Vespas de amigos que não ficaram em último lugar
O Rali Dakar de 1980 teve uma participação inusitada com quatro amigos franceses competindo em Vespas.
O Rali Dakar é conhecido por suas histórias impressionantes, e uma das mais memoráveis ocorreu na sua segunda edição, em 1980. Naquela época, a competição era considerada “o rali mais difícil do mundo”, com um percurso de 10 mil km e 18 etapas que começavam em Paris e atravessavam toda a África, passando por países como Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger e Argélia, até chegar a Dakar.
O cenário desafiador, repleto de dunas, rios e desertos, não parecia propício para uma scooter, mas quatro amigos franceses decidiram encarar o desafio de correr o Dakar em uma Vespa P200. Surpreendentemente, eles não apenas completaram a prova, mas também não ficaram em último lugar.
A Vespa, conhecida por sua simplicidade e confiabilidade, teve sua resistência testada durante o Rali Paris-Dakar de 1980. Os amigos Yvan Tcherniavsky, Bernard Neimi, Bernard Simonot e Jean-Louis Albera, todos experientes em enduro, traçaram um plano detalhado para chegar ao Lago Rosa. Para adaptar as Vespas ao rigoroso percurso, eles realizaram diversas modificações, incluindo a instalação de pneus de cravo, um tanque de combustível extra sob o banco e motores de 200cc, além de tanques de água essenciais para a travessia.
Além das adaptações nas scooters, a equipe desenvolveu um plano de suporte técnico abrangente. Quatro Land Rovers acompanharam as Vespas, prontos para oferecer assistência rápida em caso de necessidade. Essa estratégia se mostrou eficaz ao longo da competição.
Embora tenham enfrentado dificuldades, como paradas frequentes e até a necessidade de empurrar as Vespas por várias dunas, Albera e Simonot conseguiram chegar ao Lago Rosa. Essa conquista é notável, considerando que apenas 25 das 90 motocicletas que partiram de Paris conseguiram cruzar a linha de chegada.
Em 2011, dois italianos tentaram repetir o feito, completando o Rali Dakar em Vespas, mas em um percurso bem menos desafiador na América do Sul. Mesmo assim, Andrea Nutini e Marcello Dibrogni terminaram a prova apenas quatro horas atrás do vencedor, Marc Coma.
Curiosamente, Albera e Simonot não terminaram em último lugar, conseguindo superar algumas motocicletas oficiais do Dakar, o que torna essa aventura ainda mais impressionante.
