Ratinho Jr. e Caiado apresentam menor representação feminina em seus primeiros escalões em comparação a Zema e Eduardo Leite
Governadores se destacam na inclusão feminina em seus primeiros escalões, mas número ainda é baixo.
Entre os pré-candidatos ao Palácio do Planalto em 2026 que exercem atualmente mandatos no Executivo, os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, lideram em termos de mulheres em cargos de primeiro escalão.
Apesar disso, a presença feminina ainda é inferior a 40% nos postos de liderança. No governo Zema, das 16 posições no primeiro escalão, 6 são ocupadas por mulheres, o que representa 37%. Já no governo Leite, 10 mulheres ocupam 29 cargos, totalizando 34%.
O levantamento considera apenas os atuais nomeados em cargos de alto escalão, como ministras e secretárias, incluindo também os líderes da Procuradoria-Geral do Estado e da Controladoria-Geral do Estado.
Os governadores Ratinho Junior (PSD) e Ronaldo Caiado (PSD), do Paraná e Goiás, respectivamente, apresentam as menores proporções de mulheres em suas equipes, com 12% e 14%. No Paraná, as 3 mulheres ocupam a Secretaria da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, a Secretaria da Cultura e a Controladoria-Geral do Estado, sendo que as duas primeiras pastas foram criadas apenas no segundo mandato.
O governo paranaense destacou a atuação de Eliane Carmona, diretora-presidente do Fundepar, cargo que não foi incluído no levantamento. O Fundepar é responsável por obras, merenda e transporte na área educacional.
Além disso, a gestão enfatizou que o governador indicou quatro mulheres para cadeiras de desembargadoras no Tribunal de Justiça do Paraná ao longo de seu mandato.
No estado de Goiás, as 3 mulheres entre 21 cargos estão à frente das pastas da Cultura, Educação e Meio Ambiente. O governo Caiado não se manifestou sobre a situação.
Caiado e Ratinho Junior, assim como Leite, são presidenciáveis do PSD. A definição sobre quem será o candidato do partido será anunciada até o final deste mês, com indicações de que o governador do Paraná deve ser o escolhido.
A diretora do Instituto Paranaense de Direito Eleitoral, Nahomi Helena de Santana, comentou que a baixa presença de mulheres, especialmente em Paraná e Goiás, é preocupante, mas observou um perfil mais técnico e profissional entre as mulheres escolhidas em Minas e no Rio Grande do Sul.
Ela também destacou que, nesses estados, as mulheres ocupam pastas com orçamentos significativos e visibilidade. A secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul, Priscilla Maria Santana, é um exemplo de uma servidora de carreira assumindo um cargo desafiador em um cenário fiscal complicado.
A gestão Leite afirmou que o número de secretárias de Estado é o maior da história do Rio Grande do Sul, considerando isso um ativo importante para o governo.
Por sua vez, o governo Zema ressaltou que tem ampliado as oportunidades para mulheres em cargos de liderança, sempre pautado por critérios técnicos e de competência.
O governo mineiro também mencionou outras mulheres em posições de destaque que não estão no levantamento, como a coronel Jordana Daldegan, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Minas; a delegada Letícia Reis, chefe da Polícia Civil; e Gabriela Siqueira, à frente da Ouvidoria-Geral do Estado.
O presidente Lula (PT), pré-candidato à reeleição, conta com 10 mulheres em 38 postos (26%). Segundo a Presidência, as pastas chefiadas por mulheres são estratégicas para o desenvolvimento de políticas públicas em áreas cruciais.
A gestão Lula também informou que a participação feminina em cargos de direção e assessoramento aumentou de 34,9% em 2022 para 40,8% em janeiro deste ano.
Flávio Bolsonaro (PL), senador pelo Rio de Janeiro, observou que, durante o mandato de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apenas duas mulheres ocuparam cargos na Esplanada dos Ministérios, representando 9% da estrutura total de 22 cargos de primeiro escalão.
Nahomi Helena de Santana enfatizou que as barreiras enfrentadas por mulheres dentro dos partidos políticos e no processo eleitoral são fatores que explicam a baixa presença feminina no primeiro escalão.
Ela analisou que esses cargos são frequentemente utilizados em acordos políticos
