Refugiada ucraniana no Brasil destaca que a questão vai além da geopolítica
Refugiados ucranianos no Brasil: desafios e histórias de superação
Desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, há quatro anos, o Brasil recebeu 721 refugiados ucranianos, segundo dados do Ministério da Justiça. Até fevereiro de 2026, aproximadamente 5,9 milhões de pessoas deixaram a Ucrânia, com a maioria buscando abrigo em países europeus.
A professora Kateryna Slinko, que chegou ao Brasil no segundo semestre de 2022, é um exemplo de como a guerra impactou vidas. Natural de Kharkiv, ela fundou uma ONG voltada para crianças com deficiência antes de deixar seu país. A decisão de emigrar foi difícil, mas necessária para garantir a segurança de suas filhas.
Para Slinko, o conflito vai além de questões geopolíticas; trata-se de pessoas comuns enfrentando as consequências da guerra. Em seus relatos, ela compartilha a realidade de sua nova vida no Brasil e suas reflexões sobre o conflito.
Durante a entrevista, Slinko explicou que a decisão de deixar a Ucrânia foi tomada em um momento de grande tensão. Sua cidade foi severamente afetada, e a necessidade de garantir uma educação adequada para suas filhas se tornou uma prioridade. A adaptação ao Brasil foi facilitada pela receptividade dos brasileiros e o apoio de colegas da universidade.
O processo de obtenção de visto foi viável graças a programas voltados para pesquisadores ucranianos, permitindo que Slinko continuasse seu trabalho acadêmico. No entanto, ela destaca que o suporte emocional é igualmente crucial para os refugiados, que enfrentam desafios significativos na adaptação a uma nova cultura e idioma.
No Paraná, iniciativas como a da Fundação Araucária têm sido fundamentais para apoiar cientistas, proporcionando uma certa estabilidade financeira. Slinko relata que, apesar das dificuldades, encontrou uma comunidade ucraniana ativa e solidária no Brasil.
O início da guerra em fevereiro de 2022 trouxe uma mudança drástica na vida de Slinko e de muitos outros. Ela descreve os momentos de terror durante os ataques, a luta para ajudar os necessitados e a depressão que enfrentou após chegar ao Brasil. A situação na Ucrânia permanece crítica, com muitas crianças lidando com traumas psicológicos devido ao conflito.
Sobre a percepção dos ucranianos em relação aos russos, Slinko menciona a complexidade do sentimento, ressaltando que, apesar de haver russos contra a guerra, a propaganda e a desinformação dificultam a separação entre os povos. Sua experiência no Brasil a levou a participar de projetos sociais, onde tem encontrado apoio e oportunidades.
A adaptação ao português tem sido um desafio, mas Slinko continua estudando para melhorar sua comunicação. A comunidade ucraniana no Paraná, especialmente em Curitiba, oferece uma rede de apoio importante para refugiados.
Por fim, Slinko enfatiza a necessidade de visibilidade para os crimes de guerra e a urgência de humanizar a narrativa do conflito, lembrando que por trás dos números estão vidas e histórias de dor e resistência.
O COMEÇO DA GUERRA
A Ucrânia conquistou sua independência em 1991, após o colapso da União Soviética, e, embora tenha sido reconhecida internacionalmente, manteve laços econômicos com a Rússia. Ao longo do tempo, a orientação política da Ucrânia se inclinou para a União Europeia e a Otan, o que gerou tensões com Moscou.
A tentativa da Ucrânia de se juntar à Otan em 2008 foi um fator crítico para a escalada do conflito, levando à anexação da Crimeia pela Rússia em 2014. Em 2021, a mobilização militar russa na fronteira ucraniana aumentou as tensões, culminando na invasão em 24 de fevereiro de 2022, que o governo russo descreveu como uma “operação especial”.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, buscou apoio internacional, resultando em assistência militar e humanitária de diversos países, embora nenhum tenha se envolvido diretamente no conflito. Enquanto isso, a Coreia do Norte enviou tropas para apoiar a Rússia.
CRISE DE REFUGIADOS
Até fevereiro de 2026, cerca de 5,9 milhões de pessoas deixaram a Ucrânia devido ao conflito, com a maioria buscando refúgio na Europa. Polônia e República Tcheca foram os principais destinos, recebendo centenas
