Relator da CPI do Crime Organizado acusa Moraes de ameaçar Coaf para obstruir investigação contra Banco Master
Alessandro Vieira critica decisões do STF que afetam CPI do Crime Organizado
O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), expressou sua insatisfação com as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo ele, têm dificultado o andamento dos trabalhos da comissão e a investigação de crimes de colarinho branco.
Vieira afirmou que o ministro Alexandre de Moraes estaria “ameaçando” o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para impedir a entrega de informações necessárias à CPI. Ele questionou a gravidade das informações que estariam sendo ocultadas, mencionando a possibilidade de envolvimento em atividades ilícitas.
Recentemente, Moraes impôs restrições ao compartilhamento de relatórios financeiros do Coaf, exigindo a abertura de investigações formais para que esses dados possam ser acessados pela CPI. Além disso, é necessário justificar a pertinência temática e identificar os investigados.
O ministro Moraes foi mencionado em relação a voos realizados em aeronaves associadas ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, levantando suspeitas sobre possíveis encontros entre os dois. Informações obtidas indicam que Moraes voou pelo menos oito vezes em aviões ligados a Vorcaro, com um dos voos ocorrendo um dia antes de uma reunião entre eles.
Esses dados foram obtidos por meio do cruzamento de registros de voos executivos no Aeroporto de Brasília e conversas entre Vorcaro e sua ex-namorada, Martha Graeff, onde ele menciona a reunião com Moraes no dia seguinte ao embarque do ministro.
Além de criticar Moraes, Vieira também se dirigiu ao ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que não compareceu a um depoimento na CPI após conseguir um habeas corpus que tornou sua presença facultativa. Vieira destacou que, mesmo após a revelação de fraudes nas carteiras do Banco Master, o Banco de Brasília adquiriu uma quantia significativa de ativos ligados à instituição de Vorcaro.
O relator finalizou suas declarações afirmando que, no Brasil, as leis parecem beneficiar apenas os ricos, lamentando a falta de responsabilidade por parte de figuras públicas que buscam a confiança da população, mas não têm coragem de prestar contas.
