Relatório da polícia aponta falhas de moderação no Discord que possibilitam crimes ao vivo contra crianças e adolescentes na internet
Relatório aponta falhas na moderação de plataformas digitais que afetam a segurança de jovens.
A Polícia Civil de São Paulo identificou falhas significativas na moderação de plataformas de comunicação digital, como o Discord, que facilitam a prática de crimes contra crianças e adolescentes na internet. Um relatório técnico elaborado pelo Núcleo de Observação Digital (NOAD) foi entregue ao Ministério Público, destacando a urgência da situação.
O documento revela que há uma demora na exclusão de servidores, mesmo quando crimes estão sendo cometidos ao vivo. Além disso, as dificuldades em interromper rapidamente condutas ilegais e na identificação dos responsáveis são alarmantes. Essas brechas expõem diariamente jovens usuários a riscos graves, como violência sexual, automutilação e instigação ao suicídio.
O relatório é resultado de um monitoramento constante realizado pelo NOAD, criado no final de 2024 para preencher lacunas na fiscalização que deveriam ser responsabilidade dos gestores das plataformas. O material foi recebido pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa.
Durante o monitoramento, foram observadas falhas recorrentes nas plataformas de jogos online, com ênfase na manutenção de servidores ativos mesmo diante da prática de crimes em tempo real. O documento também aponta obstáculos para interromper rapidamente as condutas ilegais e para identificar os responsáveis pelas ações criminosas.
Com base na análise do material, o Ministério Público poderá avaliar a adoção de medidas para reforçar a moderação na plataforma em questão.
Monitoramento 24h
O NOAD realiza um monitoramento contínuo de ambientes digitais voltados ao público jovem, acompanhando atualmente mais de 1,2 mil alvos. Desde o início das atividades, o trabalho já contribuiu para o resgate de 359 crianças e adolescentes em situações de risco iminente, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública.
O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, enfatizou que o trabalho do NOAD demonstra que o combate aos crimes digitais requer uma atuação técnica, permanente e integrada. Ele ressaltou a importância de que as plataformas cumpram seu papel na moderação de conteúdos e na prevenção de crimes, enquanto o Estado continua a trabalhar para identificar criminosos e resgatar vítimas.
O núcleo é considerado uma iniciativa pioneira no país no combate à violência digital, focando na prevenção de crimes como estupros virtuais e comercialização de pornografia infantil. A estrutura do NOAD inclui policiais civis, militares e peritos especializados que atuam de forma integrada no monitoramento de ambientes virtuais.
Entre as estratégias utilizadas estão os “observadores digitais”, policiais civis infiltrados em comunidades e grupos online, responsáveis por identificar atividades criminosas, mapear redes e localizar vítimas. As informações coletadas são consolidadas em relatórios de inteligência que subsidiam inquéritos policiais e podem embasar pedidos judiciais.
Além da investigação, o núcleo também atua de forma preventiva, acionando outras unidades diante da iminência de crimes, priorizando o resgate das vítimas e a responsabilização dos envolvidos.
