Renovação de 65% das lideranças inicia novo ciclo nas Apaes do Rio Grande do Sul
A renovação das Apaes no Rio Grande do Sul traz esperança e novos desafios.
O movimento apaeano no Rio Grande do Sul vive um momento de inflexão. Em 2026, 65% das Apaes do estado são presididas por novas lideranças, todas voluntárias, que assumem a gestão em um cenário de demandas crescentes por serviços de educação, saúde e assistência social.
Atualmente, 136 das 206 entidades estão sob nova direção, muitas delas conduzidas por pais e mães que transformaram suas experiências pessoais em compromisso público. Essa renovação não é apenas administrativa, mas também revela uma mudança geracional e cultural dentro da rede.
O Encontro de Presidentes das Apaes do RS, promovido pela Feapaes-RS, ocorreu no último sábado (21) no auditório do Prédio 50 da PUCRS, em Porto Alegre. O evento reuniu dirigentes de todas as regiões do estado para um dia de formação e alinhamento estratégico. A data foi simbólica, marcando os 33 anos da Federação e coincidente com o Dia Internacional da Síndrome de Down, reforçando o compromisso do movimento com a inclusão e a defesa de direitos.
Protagonismo feminino e novas perspectivas de gestão
Entre os novos presidentes eleitos para o triênio, 118 são mulheres, refletindo uma mudança significativa no perfil das lideranças. As Apaes, historicamente sustentadas por redes de cuidado majoritariamente femininas, agora veem esse protagonismo também na tomada de decisão.
Marco Antonio Moresco, presidente da Feapaes-RS, destacou que essa renovação representa um impulso importante com novas ideias e ânimo. Segundo ele, aqueles que são pais e mães têm sonhos para seus filhos e desejam que eles tenham oportunidades.
Esse sentimento resume o caráter do movimento, onde gestão e afeto caminham lado a lado.
Uma rede que sustenta milhares de atendimentos
A dimensão social das Apaes no estado é expressiva. Atualmente, cerca de 5 mil alunos são atendidos na educação até o 5º ano. Na assistência social, são 30 mil atendimentos mensais, enquanto a área da saúde ultrapassa 60 mil atendimentos por mês.
Esses números representam na prática famílias que dependem da continuidade e qualidade dos serviços. A mudança nas lideranças é, portanto, um ponto de inflexão para milhares de pessoas que contam com o apoio dessas instituições.
Formação, desafios e o futuro do movimento
A programação do encontro incluiu palestras, painéis e debates sobre gestão, legislação e as três áreas de atuação das Apaes. Um dos momentos mais marcantes foi a palestra sobre o histórico e desafios do movimento apaeano, que destacou o espírito do voluntariado que move essa causa.
“Chegamos pela dor, mas ficamos pelo amor”, foi uma das frases que ecoou entre os participantes, especialmente entre os recém-eleitos, que agora assumem a responsabilidade de conduzir instituições que são referência em atendimento especializado em muitos municípios.
Histórias que revelam a essência do voluntariado
A trajetória de Noemi Radtke, 68 anos, presidente da Apae de São Lourenço do Sul, destaca-se entre os novos dirigentes. Voluntária de longa data, ela lidera uma instituição que atende 106 pessoas, de seis meses a 76 anos, evidenciando a força do voluntariado que impacta vidas.
O voluntariado, quando vivido de forma intensa, transforma-se em uma dedicação que perdura por toda a vida, como afirmou Noemi, sintetizando a motivação que move muitos envolvidos no movimento.
Sustentabilidade e parcerias estratégicas
O encontro também enfatizou a relevância das parcerias institucionais, como o apoio de diversas organizações e recursos de emendas parlamentares. Em um cenário de demandas crescentes e orçamento limitado, essas alianças são cruciais para garantir a continuidade e a expansão dos serviços prestados pelas Apaes.
