Rio Grande do Sul propõe prorrogação de dívida com governo federal para expandir irrigação agrícola

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Proposta de prorrogação da suspensão da dívida visa investimentos em irrigação no Rio Grande do Sul.

Durante uma reunião em Brasília, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, apresentou ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, uma proposta para prorrogar a suspensão do pagamento da dívida do Estado com a União. O objetivo é direcionar os recursos para investimentos em irrigação, essenciais para enfrentar os desafios climáticos na região.

A suspensão temporária do pagamento da dívida foi autorizada pelo governo federal após as enchentes recordes de 2024, permitindo que os recursos fossem utilizados na reconstrução do Estado. Agora, a proposta é discutir a extensão desse mecanismo, visando melhorar a infraestrutura agrícola.

O plano denominado “Irrigação Resiliente do RS” tem como foco mitigar os impactos das estiagens, que têm afetado a produção agropecuária. O governador destacou a necessidade urgente de investimentos, apresentando dados que evidenciam o aumento das secas e suas consequências econômicas para o Estado.

Nos últimos seis anos, o Rio Grande do Sul enfrentou quatro grandes estiagens, resultando em perdas significativas na agricultura. Em 2022, por exemplo, a falta de chuvas levou a uma queda de 43% no valor agregado do produto agropecuário, refletindo a vulnerabilidade do setor.

Estima-se que, no acumulado recente, o Estado deixou de produzir cerca de 48 milhões de toneladas de grãos, gerando um prejuízo de aproximadamente R$ 126 bilhões aos produtores, com um impacto total na economia que pode chegar a R$ 300 bilhões.

Além das consequências diretas no setor agropecuário, as estiagens têm afetado a arrecadação estadual e federal, contribuindo para o crescimento econômico lento do Rio Grande do Sul. Entre 2002 e 2023, o crescimento médio anual do PIB gaúcho foi de apenas 1,4%, o menor do Brasil, influenciado pela volatilidade da produção agrícola em anos de seca.

Leite enfatizou que a proposta não é um benefício fiscal temporário, mas sim um investimento estrutural que busca estabilizar a produção e garantir a capacidade de pagamento da dívida com a União no futuro. Ele alertou que, se as perdas de produtividade persistirem, o Estado poderá precisar de medidas emergenciais novamente.

O plano inclui investimentos em reservatórios, barragens, ampliação de canais de irrigação e incentivos para a adoção das novas tecnologias agrícolas. Também prevê ações voltadas à conservação do solo e gestão eficiente da água, com mecanismos de transparência para monitorar os resultados.

Eduardo Leite destacou que a ampliação da irrigação é uma estratégia fundamental para reduzir a vulnerabilidade da produção agrícola gaúcha. Atualmente, apenas 5% das áreas cultivadas com soja e milho no Estado são irrigadas, o que limita a capacidade produtiva.

Estudos indicam que existe potencial para expandir a irrigação em até 1,7 milhão de hectares, aumentando significativamente a produtividade e minimizando as perdas durante períodos de seca.

O governador também apresentou projeções de impacto fiscal positivo com a ampliação das áreas irrigadas. Se o percentual de irrigação nas culturas de sequeiro dobrar de 5% para 10%, a arrecadação de ICMS do Estado poderia crescer cerca de R$ 676 milhões anualmente em anos de safra normal, podendo chegar até R$ 1,4 bilhão em anos de estiagem severa.

Um aumento na produtividade também beneficiaria a arrecadação federal, uma vez que a redução na produção agrícola impacta diretamente a geração de tributos em toda a cadeia econômica.

O ministro Carlos Fávaro se comprometeu a oferecer suporte técnico para desenvolver a proposta apresentada, afirmando que a equipe do ministério está à disposição para colaborar com o Estado, parlamentares e entidades do setor.

A reunião contou com a presença de várias autoridades, incluindo membros da Casa Civil do Rio Grande do Sul e representantes do setor agrícola, demonstrando o apoio coletivo à iniciativa.

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