Ruptura da ordem mundial e perspectivas para o futuro

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Trump marca um ano de seu segundo mandato com novas propostas diplomáticas em Davos.

Donald Trump completou um ano de seu segundo mandato em 20 de janeiro de 2025. No dia seguinte, desembarcou em Davos, na Suíça, surpreendendo líderes globais com sua abordagem retórica e diplomática em relação ao controle da Groenlândia.

Durante sua estadia em Davos, Trump lançou oficialmente o Conselho da Paz, uma organização multinacional destinada a resolver inicialmente o conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza. O objetivo do conselho é, posteriormente, abordar outros conflitos globais e, conforme sugerido pelo próprio presidente, substituir a ONU. O documento constitutivo do Conselho da Paz indica que Trump continuará a ter um papel central, mesmo após deixar a Casa Branca.

O primeiro ano do novo governo americano é significativo, pois as retrospectivas tradicionais ajudam a evidenciar as transformações impulsionadas pelas decisões de Trump. O estilo direto e sem rodeios do presidente levou ao reconhecimento por parte de líderes mundiais de uma nova realidade que estava sendo ignorada: uma nova ordem global está emergindo.

Essa nova configuração global difere radicalmente do ideal de um mundo globalizado e multilateral que se imaginava após a Segunda Guerra Mundial. O primeiro-ministro do Canadá destacou em seu discurso em Davos que a crença na antiga ordem está se dissipando, e que a nova realidade é marcada por uma ruptura significativa.

O chanceler da Alemanha também enfatizou que a ordem internacional dos últimos 30 anos está sendo substituída por uma competição aberta entre potências. A presidente da Comissão Europeia reforçou a necessidade de adaptação a essa nova realidade, afirmando que a nostalgia pela antiga ordem não resolverá os problemas atuais.

A ORDEM DOS VENCEDORES

O fim da Segunda Guerra Mundial estabeleceu um novo arranjo de poder, consolidando os Estados Unidos como uma superpotência e criando um antagonismo com a União Soviética, resultando em um mundo bipolar. O desejo de uma governança global levou à criação de instituições como o FMI, o Banco Mundial e a ONU, que buscavam resolver conflitos e promover o desenvolvimento.

Com o tempo, a burocracia internacional cresceu, abrangendo diversas organizações e tratados que visavam regular as relações globais. No entanto, essa estrutura, composta em grande parte por burocratas não eleitos, começou a mostrar sinais de ineficiência. Apesar de ter funcionado razoavelmente nas primeiras décadas, a ONU e outras instituições enfrentaram dificuldades em se adaptar às novas dinâmicas globais.

Após a Guerra Fria, a hegemonia americana parecia sólida, mas a ascensão da China, com seu modelo de capitalismo de Estado, começou a desafiar essa supremacia. O comércio mundial, que antes era dominado pelos EUA, agora apresenta a China como o principal parceiro comercial na maioria dos países.

O MUNDO PRÉ-CHINA

A dinâmica econômica global foi moldada por um establishment liberal que favorecia a liderança dos EUA. No entanto, a criação de instituições como a OMC não conseguiu resolver conflitos comerciais de maneira eficaz e, desde 2019, está praticamente paralisada.

O aumento da burocracia e a percepção de ineficácia dessas organizações têm gerado um descontentamento crescente, especialmente entre movimentos de direita que criticam a relevância das instituições multilaterais. A falta de um sistema eficiente de governança global se torna evidente, e muitos questionam a utilidade das estruturas existentes.

O desprezo por parte dos EUA em relação à ONU e outras organizações reflete uma crescente irrelevância dessas instituições, exacerbada pela falta de consenso entre as potências mundiais. A percepção de que a ONU e a OMC não conseguem cumprir suas funções essenciais se intensifica com o tempo.

MUDANCA GEOPOLÍTICA

A transformação do cenário geopolítico é inegável. A hegemonia dos EUA enfrenta desafios significativos, principalmente da China, que tem se mostrado uma força crescente no cenário internacional. A nova fase do planeta, descrita como neomercantilismo, reflete essa mudança nas relações globais.

A China, com uma classe média em expansão, tem avançado em diversas áreas, desde infraestrutura até influência cultural. A ascensão chinesa não é comparável a ameaças anteriores que os EUA enfrentaram, pois o país se destaca como uma potência econômica e política em asc

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