Ruralistas devem apoiar Flávio Bolsonaro na corrida presidencial com ausência de Tarcísio e Alckmin em desacordo com o governo
Relação entre a bancada ruralista e o governo Lula enfrenta desafios significativos.
A relação entre a bancada ruralista e o governo atual, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem se mostrado bastante conturbada. Desde o início do mandato, a conexão com o agronegócio foi abalada, especialmente após a gestão anterior, que favoreceu o setor com diversas políticas.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, escolhido por Lula, não conseguiu estabelecer um diálogo eficaz com o Congresso, o que gerou descontentamento entre os parlamentares. Sua atuação nos primeiros anos de mandato foi marcada por uma falta de interlocução com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Em um episódio emblemático, Fávaro foi excluído da abertura da Agrishow, um dos principais eventos do agronegócio na América Latina, refletindo a tensão entre o governo e o setor. O rompimento com o deputado Pedro Lupion, líder da FPA, evidenciou a dificuldade de comunicação entre as partes.
Lupion, que representa uma bancada robusta de 344 parlamentares, afirmou que a única conexão com o governo se dá através do vice-presidente Geraldo Alckmin. Ele destacou a importância de Alckmin, que tem experiência no setor, mas lamentou que sua posição não seja suficiente para criar um diálogo mais amplo com o governo.
A FPA, majoritariamente contrária ao PT, busca novas alianças políticas. Com a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no cenário eleitoral, a aproximação com Flávio Bolsonaro surge como uma alternativa natural para os ruralistas.
Decano da FPA
Arnaldo Jardim, um dos mais experientes membros da FPA, acredita que Tarcísio seria um candidato ideal para o agronegócio, mas com sua exclusão do pleito presidencial, Ratinho Junior e Flávio Bolsonaro estão sendo considerados como possíveis representantes do setor.
Jardim, que já ocupou a Secretaria de Agricultura e Abastecimento em São Paulo, elogiou a gestão de Alckmin, ressaltando seu esforço em conectar-se com o agronegócio. No entanto, ele criticou a postura de Fávaro, que, segundo ele, não tem defendido adequadamente os interesses do setor.
Parlamentares da bancada ruralista também têm expressado uma relação mais positiva com o ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, que teria mostrado mais abertura ao diálogo do que o atual ministro da Agricultura.
Fávaro, apesar de ter sido contatado para comentar sobre as críticas, não respondeu às solicitações de entrevista e está previsto para deixar o cargo, visando uma candidatura ao Senado.
Possível novo ministro
Com a perspectiva de um novo governo, André de Paula, atual ministro da Pesca e Aquicultura, é visto como um forte candidato para assumir o Ministério da Agricultura. Sua experiência e disposição para dialogar com os ruralistas são pontos destacados por membros da FPA.
Lupion e Jardim expressaram confiança de que André de Paula seria um representante mais alinhado com os interesses do agronegócio, destacando sua capacidade de comunicação e entendimento das necessidades do setor.
Assim como Fávaro, André de Paula deverá se desincompatibilizar do cargo para concorrer nas próximas eleições, possivelmente como deputado estadual em São Paulo.
Aproximação tardia
No setor privado, a percepção é de que o governo Lula, mesmo que tardiamente, está buscando restabelecer laços com o agronegócio. A chegada de Sidônio Palmeira à Secretaria de Comunicação da Presidência é vista como um passo positivo nessa direção.
A participação de representantes do agronegócio na comitiva de Lula durante visitas internacionais foi um marco dessa reaproximação, que, segundo empresários, melhorou a narrativa do setor no governo.
No entanto, muitos acreditam que será difícil para Lula conquistar o apoio dos ruralistas para um quarto mandato. O consenso é que, na ausência de Tarcísio, o setor deverá apoiar qualquer candidatura da oposição que se alinhe aos seus interesses.
